terça-feira, março 29, 2011

sweet tiny bits

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& depois há pequenas coisas que sabem tão bem, pequenos mimos, mas que.
eu sei do meu amor aos detalhes, mas eles são de facto tudo.
& depois chegar a casa, pôr Ornatos (ave!) e preparar-me para "picar" as Novas Cartas Portuguesas, que elegi como livro do doutoramento. Sim, porque à falta de mais, têm de me restar provas de que eu (ainda) não sou uma batata.
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segunda-feira, março 28, 2011

[...]

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E às vezes, de uma assentada só, eu percebo tantas coisas.
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Relicário de um homem solteiro

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"7
Um amigo brasileiro, há 20 anos a viver em Portugal, conta-me que no Rio se apaixona várias vezes entre a praia e o boteco. E esta é uma das características do homem solteiro. Confunde luxúria com amor romântico, declara vassalagem ao púbis cheio de espuma de Lavínia, escreve poemas a bonecas japonesas, julga-se apaixonado pela namorada do amigo. Mas talvez haja uma atenuante para esta confusão, para a contínua e insistente tentativa de construir o amor a partir de uma boca, de uma frase, de uma noite de sexo. E talvez haja uma atenuante para a soberba de acharmos que há alguém que nos irá desejar para o resto da vida – tal como nós a desejamos. É nesta contínua e desgovernada busca, “entre colchões e trambolhões” – como canta o romântico Palma – que o homem solteiro perpetua a possibilidade do amor, que continua a acreditar, que não se torna nem amargo nem desistente nem conformado. Ou, como escreveria o apaixonado de Lavínia: “Uma reserva de sonho contra tudo o que não é doce, sutil ou sereno.”

“Eu chamo de amor.” "

Hugo Gonçalves, O amor é sexualmente transmissível, no i


Aqui está, pelo final, a crónica que me fez ganhar o dia. É ler, que está toda aqui.
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Mel - Bal

Yussuf quando for pequeno

"Continuando a olhar para trás, Kaplanoglu mostra-nos desta vez a infância em estado puro que guardamos pela vida fora: a curiosidade da descoberta dos sentidos, a vontade da expressão individual e a timidez que a impede de se soltar, e o eterno elo de admiração da criança pelo seu pai, sob o olhar atento da mãe. O pai de Yussuf, apicultor, procura novas fontes de mel para o sustento familiar, pequenas incursões feitas na companhia do filho, de olhos e ouvidos abertos para cada gesto. Mas será após uma partida solitária para longe que, na ausência da referência paterna, os sentidos de Yussuf se abrirão mais ao confronto entre o isolamento interior no seu diminuído lar, o encontro com as palavras na escola e o puro estado da natureza que circunda a casa. Há um mundo que o chama e que ele abraça, na descoberta da vida e da ausência.

"Em 2005", diz-nos Kaplanoglu, "escrevi um conto sobre um aspirante a poeta de 18 anos que vivia no campo e enviava os seus poemas a jornais literários [segmento da história que filmaria em "Süt", segunda parte da trilogia]. Mas perguntei-me o que aconteceria a essa personagem na sua idade adulta e na sua infância, se poderia continuar a escrever poemas com 40 anos de idade ou se teria de fazer outra coisa para ganhar a vida".

Toda a "Trilogia Yussuf" revela uma paciente busca do tempo certo de expressão, uma relação cuidada entre a exposição de um sentimento e a escolha de adereços e de palavras numa paisagem natural de imagens. "A poesia é aquilo que fazemos das nossas experiências a partir do que guardamos na nossa linguagem. Não se trata só de colocar os nossos sentimentos em palavras, tem também a ver com o silêncio."

Através da infância de Yussuf, Kaplanoglu tentou ir ao encontro do sentido inicial que se perde ao longo da vida. "A vida põe uma cortina à frente dos nossos sentidos, impede-nos de tocar, cheirar e ver. Quando fiz o filme, tentei encontrar uma maneira de remover essa cortina, queria descrever não só a infância de Yussuf mas também a da humanidade. Pensei muito em como descrever essa pureza, pois julgo que a perdemos nas nossas relações. Falamos muito não por nos darmos bem, mas porque não conseguimos estabelecer uma verdadeira ligação uns com os outros", sublinha.

Todo o seu trabalho vai no sentido de uma necessidade de espiritualidade e de depuração que é o contrário da vida moderna, urbana que nos aliena dos sentidos. "A nossa percepção não está apenas relacionada com o cinema, depende também da quantidade de poesia que lemos, do nosso envolvimento com a arte e a filosofia, e da nossa relação com a espiritualidade. A vida moderna não nos permite questionar a nossa existência e a criação, há uma indolência dominante em relação a isso", argumenta Kaplanoglu.

Kaplanoglu vai até à raiz de uma vida. Na sua inocência, Yussuf mostra-nos que aquilo que nos forma nunca nos abandonará. Ele sabe que poderá sempre encontrar aquilo que procura na árvore onde o pai ia buscar o mel para levar para casa."


Por Francisco Valente - A crónica do Ípsilon já ficou online, aqui fica pois o melhor miolo. Mas é ler toda, de um sorvo.
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Turkish delight(s)

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(...) mostrando por exemplo no quanto um simples copo de leite pode significar o amadurecimento de uma criança. E ao mesmo tempo também não se prende apenas ao mundo real, mostrando sonhos e quanto eles são importantes para o pequeno Yussuf e seu pai, a ponto de não deverem ser contados em voz alta, mas apenas sussurrados ao ouvido um do outro. (daqui)

Afinal parece que se escrevem sempre coisas tão bonitas e silenciosas sobre o filme.
Na waiting list (a tal), os outros dois, já que este é o que fecha a trilogia.
Yumurta (Ovo), de 2007, e Sut, (Leite), de 2008, em que a vida de Yusuf adulto e adolescente é explorada. Ou seja, o realizador filma a trilogia "ao contrário". Bal - Mel põe um fim. E é uma pena que o belíssimo artigo do Ípsilon não esteja online.

Aqui fica o trailer do Sut - Leite, que me parece uma coisa linda.


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«A minha longa vida deu-me uma série de motivos para me indignar».
Quem escreve é Stéphane Hessel, 93 anos, herói da Resistência francesa, sobrevivente dos campos de concentração nazis e um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos Humanos.


Depois do fracasso do alter mundialismo, uma vasta franja de opinião procura um meio para dar a conhecer que não quer viver num mundo onde uns enriquecem ao mesmo ritmo a que outros empobrecem. Acabou de encontrar um. Embora os seus leitores reúnam diversos ativistas de esquerda, Stéphane Hessel assume claramente a herança social-democrata.

“Se procurarmos, certamente encontraremos razões para a indignação: o fosso crescente entre muitos pobres e muitos ricos, o estado do planeta, o desrespeito pelos imigrantes e pelos direitos humanos, a ditadura intolerável dos mercados financeiros, a injustiça social, entre tantos outros.”

Sugestão de hoje do excelente Câmara Clara. Em waiting list, PhD oblige. Mas não perde pela demora. Quem participou na elaboração da DUDH e continua a escrever assim merece todo o meu respeito.... Consta que diz "não foi para isto que a fizemos". Pois.
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domingo, março 27, 2011

Mel - Bal

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Mel - Bal
Doce e escuro, belo.
Falta o artigo de Franscisco Valente, a págs. 29-30 do Ípsilon, uma pena.

"Kaplanoglu vai até à raiz de uma vida. Na sua inocência, Yussuf mostra-nos que aquilo que nos forma nunca nos abandonará. Ele sabe que poderá sempre encontrar aquilo que procura na árvore onde o pai ia buscar o mel para levar para casa."

(e que saudades do King!)
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[sem escapar uma]

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I go to bed real early
Everybody thinks it's strange
I get up early in the morning
No matter how disappointed i was
With the day before
It feels new

I do some stupid things
But my heart's in the right place
And this i know

So in the end i'd like to say
That i'm a very thankful man
I tried to make the most of my situations
And enjoy what i had
I knew true love and i knew passion
And the difference between the two
And i had some regrets
But if i had to do it all again
Well, it's something i'd like to do

Things the grandchildren should know, by The Eels
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sábado, março 26, 2011

a private kind of happiness

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Esquece, por momentos, quem tem razão. Tudo continuará na mesma e dormirás muito melhor. Esquece o medo, a crise, a depressão das manhãs com greve. Tira as roupas que não usas do armário e oferece-as a quem precise. Faz amor durante todo o fim-de-semana. Pinta, por fim, a parede da sala. Deixa passar a senhora com poucas compras na fila do supermercado. Já percebeste que não vais salvar o mundo, trata de cuidar dele o melhor que possas. Coisas pequenas, detalhes, não precisas de ser mártir ou revolucionário, apenas dedicado e bondoso. (...)
Vais ver que nada de grandioso mudará e, no entanto, tudo será melhor no universo das pequenas coisas que importam.


by Hugo Gonçalves, no i

& tudo o que vem a seguir, e tanto que havia a dizer sobre isto (e o seu inverso).
My thoughts exactly, again.
Já agora, o título da crónica é "Dias felizes para pessoas normais".
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rev news

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Duas notícias a destacar:

1.
Socialistas falam em usurpação de poderes por parte da Assembleia
Suspensão da avaliação dos professores poderá ser considerada inconstitucional

Quantas e quantas vezes tive eu esta dúvida.
Quando se lê a Constituição é o “ai Jesus, que isto é competência do Governo”, mas na prática pode-se tudo – e está apresentada a casa.
Agora vai haver direito sobre isto. E em itálico minúsculo porque não merece mais, como se sabe, o “direito” é sempre a legitimação daquilo que dá mais jeito a quem consegue dominar o sistema – com a agravante disso mesmo, é que fica com a aparência de “legitimado”.
Bem vindos à casa, novamente, aqui como em qualquer outro lado. Por exemplo, e nem de propósito, do outro lado do oceano semelhante consideração, pelo meu “colega de mester”.

2.
CRISE FINANCEIRA MUNDIAL
Islândia. O povo é quem mais ordena. E já tirou o país da recessão

Sei muito pouco sobre isto, aliás, na verdade nada.
Enquanto fui recebendo a notícia em círculos mais restritos (em muitas acepções da palavra), achei normal. Mas agora que li no i... caso pra dizer, vindo de onde vem, "alta vai ela".
Só me lembra, por analogia, o que fez o Lula há anos com a quebra das patentes para fazer genéricos anti HiV.
Não pagamos!, e depois? Só uma pena não termos petróleo... :s
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quinta-feira, março 24, 2011

i o mundo lá fora

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No ecrã e nos Passos Perdidos, o país aparece-me tão raivoso como um cão maltratado, bruto nos modos, inconsequente, infantil nas bocas de bancada para bancada, um "diz que disse" fictício, uma narrativa que tantas vezes nada tem a ver com a realidade, uma novela mal encenada quando tudo parece prestes a pegar fogo. Apago a televisão para ter a cabeça limpa. Lá fora continua a haver sol e pessoas na rua e gente feliz porque é Primavera. E agora?

Por Hugo Gonçalves, no jornal i


Era daqui a crónica que me fez ganhar o dia.
Ontem dei por mim a pensar alguma coisa parecida, quando finalmente saí, pec chumbado. Tive de conduzir até Sintra e foi um maravilhoso desligar, ainda para mais com uma conversa telefónica que me levou para longe.
Nos cafés de Torres Novas discutia-se muita política e eu não conseguia perceber quem era aquele gente.
Hoje de manhã, na Actis, durante 10 minutos, aquela foi a melhor tarte de amêndoa do mundo e toda a gente me mimou e me sorriu (tenho tantas saudades). Estava sol lá fora.

[& calculo que haja epicentros carregados de energias negativas.]

Aqui fica um excerto, prometo pôr em breve a outra crónica online.
O i é de direita, mas é dandy, é light e trendy-cool. É por estas e por outras que gosto tanto do i: é uma revista em forma de jornal e diária, e a maior vantagem é quase não ter notícias. Não as levemos tão a sério, pois.

passos trocados

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Não resisto a "repostar" do 31 da Armada:

Bastou um dia. Um. Ainda não há data para as eleições, a demissão do governo ainda nem foi formalmente aceite, e o PSD já perdeu a face nos dois maiores pecados que poderia apontar ao PS: querer resolver à crise à custa do aumento de impostos e não ter palavra.


publicado por Alexandre Borges às 20:39

Discordo é num ponto: espantoso??? Só me ocorre dizer: "And there's a lot more where this came from!"
Preparem-se.
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quarta-feira, março 23, 2011

[post do dia de hoje]

Amanhã - black wednesday

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200 minutos.
começa às 15h.
não se sabe quando vai acabar.
acabar, a palavra ressoa.
só me lembro da palavra italiana, perfeita: crollare.
Ave lmperator! Morituri te salutant!
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terça-feira, março 22, 2011

Estação Zootécnica Nacional

Da série # Yes, I still dream of a quiet life

Estação Zootécnica Nacional
Vale de Santarém, Portugal

Só não encontrei a janela da Joaninha. & já há tanto tempo que me pediram para a procurar... :)

segunda-feira, março 21, 2011

[big smile]

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Too much comfort zone, ultimamente, perhaps.
Mas - e depois? Também posso, ou não?
E o melhor, mesmo o melhor, o super melhor de tudo, é que ela é preenchida pelos meus amigos, que não só são espectaculares e sabem tão bem estar, como têm o dom de aparecer de tantas formas e tantas vezes mesmo mesmo na hora certa.
Ter uma comfort zone assim é um verdadeiro privilégio.
E, também por isso, é que ninguém pense que vai furar a minha bolha. Esqueçam - é que, sinceramente, não me apetece.
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[todinhas]

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And i know i can walk along the tracks
It may take a little longer but i'll know
How to find my way back
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alegoria da caverna

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continuo a achar que só se tem verdadeira liberdade para pensar quando se pensa fora de caixas.
hoje veio-me este título e parece-me a metáfora perfeita.
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..., originally uploaded by ------MUNDAN¹O.

my thoughts exactly.
notável a arte urbana de intervenção deste colectivo. vale a pena ver.

[todas mesmo]

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Fresh Feeling

Música para um dia assim.
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Spring is like a perhaps hand

Spring is like a perhaps hand
(which comes carefully
out of Nowhere)arranging
a window,into which people look(while
people stare
arranging and changing placing
carefully there a strange
thing and a known thing here)and

changing everything carefully

spring is like a perhaps
Hand in a window
(carefully to
and fro moving New and
Old things,while
people stare carefully
moving a perhaps
fraction of flower here placing
an inch of air there)and

without breaking anything.

by e e cummings

& era este e tão o sentimento de todas as caras de hoje.
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domingo, março 20, 2011

to cut a long story short

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Não havia o Público. Voltas e revoltas. Fartei-me de andar. Calor, sol, só caras felizes. Voltei ao ponto de partida, que era onde queria estar (olha a novidade e o perigo das analogias). Nova ideia, sugestionada (a pluralidade é sempre mais do que um, food for thought, mas isso eu já sabia). Levantei-me de novo. Fui buscar o i. Voltei ao sítio onde me tinha sentado, debaixo da árvore grande. Prova de que as coisas podem mesmo ser perfeitas, ainda que com pequenos ajustes, e que com isso mal nenhum vem ao mundo - só bem. i de ponta a ponta, de trás para a frente, que é como deve ser. eis que chego à crónica. a crónica. (fui agora procurar e ainda não está online.)
Pensei há coisas pequenas que nos fazem ganhar um dia inteiro. O meu já estava.
Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios e quando a encontrar aqui virá parar.
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(cont.)

(tirado daqui)
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comment on demand

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Ter um blog tem destas coisas. Nem sempre sabemos quem lê e isso pode revelar-se inesperado. (Há gente que, quanto a isto, não encontra mais com que se ocupar.)
Depois, outro dos riscos são os "bitaites" inapropriados. Escrevemos algo de "precioso" e zás!, para usar a linguagem popular, lá vem uma "pazada de carvão" a rebater e a estragar. Culpa de quem? Nossa, que talvez não devêssemos escrever. Ou não. Ou isso faz parte de ter um blog e a medida do lado de lá pode ser sempre inesperada. Nos blogues, como na vida, pode valer o princípio geral:
- Se és assim tão corajos@, sai lá daí e aceita dizer-me isso na cara. [Pois é, é que aí até há "contraditório", e o que se diz leva resposta de volta.]
Some people don't.
O comentário a isto é tão óbvio que nem vale a pena escrever.
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One day i will be alright again

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Ain't no rainbow in the sky
In the middle of the night
But the signal's coming through
One day i will be alright again

And the doctor in the sky
Gonna bring his chopper down
Gonna bring me out alive
And set me on the ground
Once more again

Blinking Lights, The Eels

[& esta coisa estranha de achar que, por uma razão ou por outra, todas as músicas deles foram feitas pra mim.]
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sábado, março 19, 2011

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Amartya Sen: o pensamento como liberdade

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Amartya Sen
Carla Luís

A concepção de desenvolvimento humano representa um ponto de viragem crucial. Sen coloca o indivíduo no centro do processo, sendo a partir dele que o desenvolvimento se deve desencadear. Ela perfilha a tese da ideia da responsabilidade individual, decorrente do princípio da dignidade da pessoa humana. É a cada um que cabe construir ou contribuir para a construção de desenvolvimento. Não há exclusões de responsabilidade, como se a ausência de desenvolvimento justificasse uma exclusão, pelos próprios ou externamente imposta, de alguns indivíduos, nomeadamente em contextos menos desenvolvidos, dos processos de decisão e de acção. ...


São muitas as lições de Sen. Para mim, estas foram marcantes. Marcante foi conhecer Amartya Sen e isso nunca vou esquecer.
Depois disto, não podia deixar de partilhar - na Perspectiva, claro.
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quinta-feira, março 17, 2011

to expand people's freedoms


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o problema é que depois nada volta a ser o que era.
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quarta-feira, março 16, 2011

três sílabas*

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*Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar (...)
Alexandre O'Neill


No outro dia falávamos sobre gente altamente qualificada, que Portugal muito maltratou. No caso eram a Teresa e a Ana, e por agora isto basta. Saindo daqui, cada uma delas está muito bem enquadrada em instituições de renome mundial. Até aqui nada de novo e a pergunta surge muitas vezes: por que insistem em ficar aqui?
Há áreas, então, que são propícias à escassez no "mercado interno", por exemplo as áreas internacionais. Porque não emigrar?
- Toda a gente tem o direito a querer viver no país onde nasceu!, diziam-me.
Isso é uma verdade e não se pode condenar ninguém a sair daqui. (Ontem falava com a Teresa justamente sobre o contrário, em como não tem de estar aqui se não quiser mesmo estar.)
Nisto do país de nascimento, há sorte e há azar. E ainda há tão pouco tempo eu enviava sms de Dakar, a louvar a sorte de termos nascido em Portugal - raciocínio comparativo que obviamente mantenho.

Um sentimento de pessimismo apodera-se de mim - coisa que até aqui também não é grande novidade. Mas não é uma coisa intensa, no sentido "incisivo", mas antes um torpor, um desânimo que se instala aos poucos e desfaz.

Mais tarde ou mais cedo este país não vai ser para ninguém. Quando digo este país incluo, obviamente, tudo o que aqui temos, incluo as pessoas, incluo-me a mim, claro está. Onde é que falhámos, quando - e se calhar em muitas coisas, há muito tempo. Falhámos em tudo?

Hoje estou num dia pessimista. À minha volta só se vêem caras carregadas e não se percebe muito bem o que vem aí. Eu digo que vai ser mau.

Acredito, por isso, que é mesmo preciso sair daqui porque, pelo menos de momento e num futuro próximo, este país não se deseja a ninguém.
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terça-feira, março 15, 2011

15 March 2011

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The day I met Amartya Sen.
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...
Que dia tão feliz.









Não sei há quanto tempo não tinha um dia assim.
A todos os que, directa ou indirectamente, fizeram parte do meu dia, um sentimento que nem sei explicar.
& foram tantos & tão queridos & tão bom & tão inesperados, alguns, também.

Se quisesse um dia mais feliz, não sei se o conseguiria imaginar.
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domingo, março 13, 2011

e é Amartya Sen, perdidamente


freedom, originally uploaded by A Outra Voz.

status update

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Current status: in love with The Eels.

& amanhã vai ser um dia extradordinário.
inimaginável.
sonhado, sonhável.
& vai acontecer. :D
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sábado, março 12, 2011

The stars shine in the sky tonight

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The stars shine in the sky tonight
Like a path beyond the grave
When you wish upon that star
There's two of us
You need to save

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(a perfeição existe?)

surrounded by

...
moléculas, taxas de juro e, para meu grande gáudio, acabaram de chegar partituras de Bach. :)
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From Iceland, with love

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Ou as vantagens do shuffle - e tudo aqui é lindíssimo.

Behind these two hills here
There's a pool
And when I'm swimming in
Through a tunnel....
I shut my eyes.
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Da Weasel e Manuel Cruz - Casa (Vem Fazer de Conta)

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Mais palavras para quê.
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Fiz um acordo. Daqueles sinalagmáticos, bilateral.
Bom, na verdade eu não escolhi, digamos que fui aconselhada, e de forma apenas levemente gentil, so to say.
Não gosto de falhar acordos e se os celebro, são para cumprir. Mais do que ser honestos para os outros, o mais importante é sermos honestos connosco próprios.
Hoje estou contente. Eu cumpri, a contraparte cumpriu lindamente também - e aqui estamos a falar do meu corpo.
Não caibo em mim de felicidade, truly. & além do mais tudo isto foi uma enorme sensação de alívio.

Nos nossos planos não entram ponderações der ordem biológica, limites. A ordem do que queremos tem como limite apenas aquilo que estamos dispostos a impor-nos. Até que um dia esses limites surgem - e temos de lhes dar espaço.

Antes que tivesse de o fazer, negociei. Cumpri. Cumpriu. E tudo fica tão melhor assim.
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quinta-feira, março 10, 2011

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A história do senhor Sommer



"No tempo em que eu ainda trepava às árvores - há muitos, muitos anos, há dezenas de anos atrás, media apenas pouco mais de um metro, calçava o número vinte e oito e era tão leve que podia voar - não, não estou a mentir, naquele tempo eu podia de facto voar - ou, pelo menos, quase, ou, melhor dizendo: naquela altura teria realmente conseguido voar, se de facto o tivesse querido fazer e se verdadeiramente o tivesse tentado [...]".

A história do senhor Sommer, Patrick Süskind, Ilustrações de Sempé, Sextante ...

#

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#1 É tão bom fazer um pause - e não interessam os mecanismos para lá chegar - eles existem! - e isso é mesmo o que importa. Que alívio.

#2 Há coisas que se passam, parece, numa outra dimensão. Como dizia Einstein, se navegássemos a uma velocidade superior à velocidade da luz, poderíamos viajar no tempo. Às vezes parece isso e ainda o disse há tão pouco tempo.
É como, por exemplo, eu acordar de manhã e ter apenas uma breve noção do que escrevi ontem à noite no blog (e nem foi muito tarde), e bem assim de outras coisas que agora parecem tão distantes. Uma espécie de nuvem-esponja, uma deslembrança.

#3 Tanto se podia dizer sobre os efeitos do trabalho. Tanto se podia dizer, e aí volta-se a #1, dos mecanismos para lá chegar. Eu não quero saber e pouco me importam os meios, mas isto é oh isto é mesmo tão bom. Que paz, meudeus, que paz. Blessed be.
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Dakar ride


Dakar ride, originally uploaded by A Outra Voz.

Sistema mais comum de transportes: um táxi e um bus.
& francês durante toda uma semana (penitenciadíssima por não falar wolof, a língua da negritude senegalesa).
Apesar de contentíssima por chegar ao francês, nunca iria imaginar que continuava a ser a língua do colonizador. Nunca a língua para mim teve uma carga tão política, civilizacional, ordenadora, quase. Ou se fala ou não se fala; na escola fala-se sempre francês, o wolof sempre e só fora dela. Francês língua de branco, wolof língua de preto.
Isso e a consciência de ser branca.
Ao mesmo tempo que escrevo isto aqui tenho receio, porque é todo um contexto onde esta análise tem ainda mais força do que as palavras que deixo aqui.

ínvios são os caminhos, as encruzilhadas

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Tudo o que estudo agora é a uma escala macro. Não é à toa que tem no título "internacional".
Mas palavra que me fascina o conceito de "violência", sobretudo a psicológica, a que tem origem na mente.
Como é insidiosa a mente humana e como tudo isto é um mecanismo complicado. Não dá vontade de a desligar?
Assim ao estilo Egas Moniz, e simplesmente neutralizar a parte do cérebro que nos atrapalha, e oh se ela às vezes é tão grande.
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quarta-feira, março 09, 2011

told you so (adenda)

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so what? pff, see if i care.
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told you so

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- Não se deve fazer isso.
- Pois não.
Fazer.
Corre mal, pois claro.
Agora embrulha.
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teoria do caos (contributo para uma ainda maior)


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Ou o efeito do nome na conta da luz na vida das pessoas.
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terça-feira, março 08, 2011

[and yet they do]

Geografias

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LARGO DO RATO

Num fato-macaco em tempos azul
apanhava o 15 para o Cais do Sodré.
Gestos e palavras de acordo no bater
do seu coração.

Dizia-se, num pequeno café da Alvares
Cabral, ser o seu coração artéria tão
confusa como o Largo do Rato.

Batia ao compasso da Escola Politécnica
arrítmico para os lados de S. Filipe
Néry.

Tinha outros dias tinha outras vozes
a chuva caía e a brisa, a mais ligeira,
corria D. João V entre flores e varandas
festas de inverno, velhos hábitos.

Fazia horas num banco das Amoreiras.
Passam estrelas e as coisas da vida
fazem o circuito S. Bento-Gomes Freire.

Sombria é a manhã sob os seus olhos
os que chegam neste eléctrico os que
partem sob as árvores.

Rua do Sol ao Rato. Rápidos passos.
É o trágico dos túmulos de S. Mamede
leva a máscara caindo de
um ombro,

a escura cabeça perdeu-a há muito
e o fato-macaco que fora azul,
marca de água.

João Miguel Fernandes Jorge, in O Regresso dos Remadores, editorial Presença, 1982

via Blog da Livraria Trama,
que, btw, está com uma imbatível feira de livros usados - e fica mesmo aqui ao lado do poema.
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segunda-feira, março 07, 2011

domingo, março 06, 2011

[Dia de]


Conta-me histórias, originally uploaded by A Outra Voz.

Feels good. :D

Errata

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No post anterior onde escrevi "Muitos" devia ter escrito
"Muito".
(E até ganhei uma pulseirinha que nunca tinha usado.)
Mas já está tudo bem.
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sábado, março 05, 2011

stop

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O corpo tem limites (também colapsa, por exemplo).
Muitos.
Só espero que não demasiados.
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quinta-feira, março 03, 2011

por coisas que eu cá sei

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É, à Hannah Arendt dava-lhe uma tarde.
E mais não digo, porque nem é preciso.
...

sometimes, it all comes back to me at once. scary enough, let me tell you

...

So why do you go picking fights that you'll lose?
(When you have entertainment, when you have things to pass the time)
So why do you go thinking thoughts that are above you?
(You can be happy, just play dumb, you can be happy, just play dumb)

...

epílogo, fim*

...

full version here.
por exemplo, no capítulo #vícios. oh.

[*porque a mente também precisa de dormir.]
...

I'll explain everything to the geeks

...
Hangin' from
chandeliers
Same small world
At your heels
...

conclusão, tentativa

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Depois de tudo isto, a pergunta: alguma coisa disto é compreensível?
(Por exemplo, para mim.)
...

for while the public realm may be great, it cannot be charming precisely because it is unable to harbor the irrelevant.

...

This enlargement of the private, the enchantment, as it were, of a whole people, does not make it public, does not constitute a public realm, but, on the contrary, means only that the public realm has almost com­pletely receded,

[sim, se tudo correr bem, é isto mesmo que acontece]

so that greatness has given way to charm everywhere;

[ora nem mais!]


for while the public realm may be great, it cannot be charming precisely because it is unable to harbor the irrelevant.

E não é que é mesmo por isto?

Hannah Arendt, The Human Condition

Sim, Hannah Arendt continua esta descrição, que faz em modo de crítica.
Mas garanto-vos, com gente como eu, esta teoria estava bem tramada - e havia de provar tudinho (para grande mal dos meus pecados, diga-se).

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yes, it's precisely this

...

the art of being happy among "small things," within the space of their own four walls, between chest and bed, table and chair, dog and cat and flowerpot, extending to these things a care and tenderness which, in a world where rapid industrialization constantly kills off the things of yesterday to produce today's objects, may even appear to be the world's last, purely humane corner.

Hannah Arendt, The Human Condition



[a esclarecer que o que ela faz é uma crítica, but I couldn't agree more. apesar de adorar alguns aspectos e o estilo de escrita, chego à conclusão que quanto a isto, temos diferenças irreconciliáveis. e as minhas oh se já se manifestaram na prática.]
...

O erro de Descartes?

...
"The intimacy of the heart, unlike the private household, has no tangible place in the world, nor can the society against which it protests and asserts itself be localised with the same certainty as the public space."

Hannah Arendt, The Human Condition
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[too much Hannah Arendt will kill you]

...
-Porquê?
-Por exemplo, porque sim.
...

evasividade

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- palavra inventada por mim, baseada em factos reais;
- característica pessoal, situada algures entre a gentileza e auto-defesa, que pode ter o condão de irritar particularmente os outros.
...

- Estava-se mesmo a ver.

...
Pergunto-me se alguma vez me direi isto.

(À cautela aqui fica, para eventual memória futura.)
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que não é só escura: também é quentinha e sabe a casa.
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[d'a cave escura]

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perceber, por exemplo, que há um certo conforto doentio em curtir (a possibilidade d')o abismo.
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quarta-feira, março 02, 2011

exploding, exploding

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& depois do fim de tarde de hoje, tenho mesmo de pôr isto aqui.
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terça-feira, março 01, 2011

exploding

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perhaps, perhaps, and this feeling crossed my mind even today.
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