domingo, janeiro 13, 2008

A solidão do viajante

Eis que num fim de semana um italiano se passeia, a convite, por Lisboa, com um desgosto de amor. Há que levá-lo a jantar, conversar, tomar conta dele. É simpático, é culto, é muito mais velho, jovial, liga e desliga a espaços, olha para o telemóvel, fita o vazio.
No dia seguinte fala, alegremente, profere a sua devida palestra, evita a todo o custo a tradução. Por fim janta numa verdadeira tasca africana pelas ruelas de Lisboa, acaba a beber ginjas no freak-chic Chapitô.

Fico a perguntar-me o que terá achado ele de tudo isto. O que terá achado de nós, miúdos principiantes numa arte que domina há muito.

Entre questões técnicas, ambientais e políticas, fala de literatura, das recensões e críticas literárias que faz de policiais, a série gialla italiana. Não é para todos, certamente. Fala de Chandlers e após uma reve menção do dia anterior foi mesmo a uma livraria comprar António Nobre - e fico cheia de pena por não ter os policiais de Dennis MacShade para lhe oferecer.

Há pessoas que nos fazem ter vontade de ser mais e melhor. Entre outras coisas, fiquei com vontade de ler o Dennis MacShade todo, novamente, do princípio ao fim.

1 comentário:

que deus me acuda disse...

Ponha essa vontade de lado. Há coisas excelentes para ler e o citado não produziu nenhuma delas. Na minha opinião, claro.