segunda-feira, janeiro 16, 2012

Filastrocca*

Lá em baixo ainda anda gente
Apesar de ser tão tarde
Há quem cresça no escuro
E do dia se resguarde
Há quem corra sem ter braços
Para os braços que os aceitam
E seus braços juntos crescem
E entrelaçados se deitam

Lá em baixo ainda há quem passe
E um sonho que anda à solta
Vem bater à minha porta
Diz a senha da revolta
Vou plantá-lo e pô-lo ao sol
Até que se recomponha
É um sonho que acordado
Vale bem quem ele sonha
Lá em baixo, até já disse
Que é que tem a ver comigo
E no entanto sobressalto
Se me batem ao postigo

Lá em baixo ainda anda gente
E uma cara conhecida
Vai abrindo no escuro
Uma luz como uma ferida
Como a luz que corre atrás
Da corrida de um cometa
E vejo vales e valados
No sopé duma valeta
Lá em baixo ainda anda gente
E uma cara conhecida
Vai ateando noite fora
Um incêndio na avenida

Clã e Sérgio Godinho, Lá em Baixo
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*quase, quase, é que parecia mesmo uma.

Chugga-chugga-woo-woo!

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Se o comboio teve um papel tão importante para os músicos de blues, não foi só por lhes permitir viajar do Delta até Detroit; foi sobretudo pelo ritmo das locomotivas e das próprias linhas: mudavas de linha, mudavas de ritmo. É como um eco do que se passa no interior do corpo humano.

Keith Richards, Life. Tradução de José Luís Costa


(Não sei se já vos disse que gosto muito muito deste blogue).
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Knock on wood

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Diz que estava em #1 no dia em que eu nasci. E eu não conhecia e gosto muito. Está visto, foi um dia de bom gosto, esse... :) & muito disco sound, yeah! :)
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Como um archote

Vem tudo à superfície.
Como se
dentro da casa
um maremoto levantasse
as pedras todas, uma a uma; como se
no centro, iluminadas,
as esferas rodassem
no seu eixo — tudo
de repente se inclina, tudo arde
nesta fogueira acesa
como um archote de sangue, uma lua
de enxofre.

Albano Martins


[Foi casual, de como olhar para o lado depois de esvaziado um envelope e subitamente ele estava ali.
Li alguns poemas, no meio dos artigos, e uma incrível pontaria.
Pesquisando na net, por exemplo esta página.
Encontrado este poema, fez-me perceber melhor o facto de, gradualmente, me ter deixado cada vez mais da poesia.]
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sábado, janeiro 14, 2012

[Os naufrágios possíveis]

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Dizia hoje o meu vizinho, a propósito de uma hipotética salvação do navio de cruzeiro que esta noite naufragou em Itália, que para o tirar dali agora so mesmo desmartelado.
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sexta-feira, janeiro 13, 2012

6.ª feira, 13

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Mais uma vez (re)cito integral [e convictamente] daqui:


"A satisfação que retiramos do cumprimento de uma tarefa (especialmente quando não acreditamos nela e até mesmo a desprezamos) mostra bem a que ponto ainda pertencemos à turba.

§

Regra de ouro: deixar uma imagem incompleta de si próprio...

§

Por vezes desejaríamos ser canibais, menos pelo prazer de devorar este ou aquele do que pelo de o vomitar.

§

Não mais querer ser homem..., sonhar com outra forma de decadência."



Emil Cioran, De l’inconvénient d’être né
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quarta-feira, janeiro 11, 2012

caos e tranquillità

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Ecco, per esempio, questa la capisco perfettamente, e infatti è vero: è ora di tornare a casa. Gli ultimi versi invece no, la canzone finisce e sì, sì, io torno a casa. Lo dice anche il bel rumore gratificante dello sportello super-rinforzato che si chiude - sclomp: è ora di tornare a casa. Grazie, canzone; grazie anche dell'applauso che mi stai facendo adesso, lungo, sincero, appassionato: non ne ho mai ricevuti, sai, in tutta la mia vita. Nemmeno uno. E invece a volte un bell'applauso è proprio quello che ci vuole, per farti tornare a casa sereno, col cuore pieno di caos e di tranquillità...

Sandro Veronesi, Caos Calmo
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[assim queiram os astros]

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as 2.ªs feiras estão bem a preparar-se para ser o meu dia zen: da ponta da manhã ao finzinho do dia. inshallah.
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ou, ou

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Às vezes penso que tanto sentido fazem o partir como o ficar. Basta escolher em qual é que se quer pensar mais.
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terça-feira, janeiro 10, 2012

Pelo ar

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- Quantas maneiras conheces de furar um balão?
- Muitas - e tão variadas!
[Algumas quase quase de fazer engasgar.]
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segunda-feira, janeiro 09, 2012

Esta foto, por exemplo


To love, originally uploaded by A Outra Voz.

Porque gostar das coisas é amar também as suas imperfeições.

Sweet as can be


Prune Jam, originally uploaded by A Outra Voz.


Estávamos numa tertúlia, eu perguntei e aprendi: a acção associada ao amor, em todo o seu lato sentido, está relacionado com o cuidar, o preocuparmo-nos com os outros. O dar sem receber? (Infelizmente, nos dias que correm, parece estar cada vez menos na moda e isso também é uma perversidade).
Acho que tudo isto estará associado à paz de espírito também. Onde dar, o pensar nos outros, é já receber, onde o cuidar é também uma fonte de prazer.
Adoro as pequenas oficinas domésticas de doces para alguém dar.
A aproveitar todos estes bons momentos da bolha (enquanto ela não se desfaz).
[Ou assim um sentimento pós-éden e a incapacidade de agarrar as coisas boas para sempre.]

Pesquisas para os meus alunos

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Quem podia votar durante o Estado Novo?

Cartaz de Almada Negreiros para o plebiscito constitucional de 1933 (B.M.R.R.)
Já que não está (directamente) na Constituição, a resposta vim encontrá-la aqui:

A primeira Assembleia Nacional foi eleita em 1934 por sufrágio directo dos cidadãos maiores de 21 anos ou emancipados. Os analfabetos só podiam votar se pagassem impostos não inferiores a 100$00 e as mulheres eram admitidas a votar se possuidoras de curso especial, secundário ou superior. O direito de voto às mulheres já fora expressamente reconhecido pelo decreto 19.894 de 1931, embora com condições mais restritas que as previstas para os homens.

A capacidade eleitoral passiva determinava que podiam ser eleitos os eleitores que soubessem ler e escrever e que não estivessem sujeitos às inelegibilidade previstas na lei, onde se excluíam os "presos por delitos políticos" e "os que professem ideias contrárias à existência de Portugal como Estado independente, à disciplina social..." (2). É na I Legislatura da Assembleia Nacional que encontramos, pela primeira vez, três mulheres Deputadas.

Na sequência da candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República, em 1958, que mobilizou o apoio de todos os sectores da oposição, Oliveira Salazar viria a anunciar uma revisão constitucional em que aquela eleição deixaria de ser feita por sufrágio directo para passar a fazer-se por um colégio eleitoral, de forma a impedir a eventualidade da eleição de um Presidente da República que não perfilhasse a ideologia do regime.
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sábado, janeiro 07, 2012

Sobre isto

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Só tenho a dizer: uau!
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sexta-feira, janeiro 06, 2012

[Há espaços vazios no teu interior*]


I like your heart, originally uploaded by A Outra Voz.

Da série # Como esquartejar uma abóbora.
Há dias, perto de si.

* E como em breve isto vai ser tão doce!

MALONE meurt

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As pessoas «distintas» não inventam nada em matéria de linguagem. Excedem-se nisso, pelo contrário, todos os que improvisam por gabarolice ou se enredam numa vulgaridade raiada de emoção. São naturezas puras, vivem directamente as palavras. Será o génio verbal apanágio dos antros de perdição? Exige, em tudo o caso, um mínimo de repugnância.

Emil Cioran, De l’inconvénient d’être né


Pequeno excerto de (mais uma) deliciosa pérola vinda daqui.
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quarta-feira, janeiro 04, 2012

& now for something completely different!

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Um dia crio um tour de Sintra:

"Tour pelas farmácias de Sintra, à procura de coisas que não há."

[Já devidamente testado em cobaias humanas. :p]
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Rocket [Duchovny] Man

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Porque nisto de telenovelas cada um tem as suas. E esta hoje acabou assim... snif!
[E não se assustem, é o Rocket Man do Elton John, com o finale do Californication, a série mais depravada de sempre.]
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segunda-feira, janeiro 02, 2012

GIN

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Da série "Uma dieta por dia, não sabe o bem que lhe fazia".