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Já fui ao lado de lá e já voltei. Olá! :)
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sexta-feira, dezembro 23, 2011
sábado, dezembro 17, 2011
Fresco*
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E o termo "Grande Depressão" nunca antes me fez tanto sentido como agora. A carga negativa em tudo, o pensar duas vezes ou mais antes de gastar qualquer euro mesmo que eles (ainda) não nos faltem, a pesada incerteza geral quanto ao amanhã.
Ao mesmo tempo, parece que uma coisa vil e materialista como o dinheiro, a economia, saltaram de vez para o centro de tudo e tudo gira à volta disso, infelizmente (porque tem de ser, será, mas é triste).
Por isso algum mute nisto tudo seria bom, assim de tempos a tempos. Como a dizer "ok, sabemos que estamos mal, mas podemos parar de falar nisso a toda a hora, por favor?". Uma espécie de consolo mental, uma leveza, talvez.
*pessoa que não sei quem é, assumo, mas o vídeo está muito bonito.
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E o termo "Grande Depressão" nunca antes me fez tanto sentido como agora. A carga negativa em tudo, o pensar duas vezes ou mais antes de gastar qualquer euro mesmo que eles (ainda) não nos faltem, a pesada incerteza geral quanto ao amanhã.
Ao mesmo tempo, parece que uma coisa vil e materialista como o dinheiro, a economia, saltaram de vez para o centro de tudo e tudo gira à volta disso, infelizmente (porque tem de ser, será, mas é triste).
Por isso algum mute nisto tudo seria bom, assim de tempos a tempos. Como a dizer "ok, sabemos que estamos mal, mas podemos parar de falar nisso a toda a hora, por favor?". Uma espécie de consolo mental, uma leveza, talvez.
*pessoa que não sei quem é, assumo, mas o vídeo está muito bonito.
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saber: mais, vezes, menos
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Saber uma coisa. Se contarmos a alguém, mais do que a dividir, multiplicamo-la. Se não for boa, é quase a dádiva de uma maldade.
Em vez de um, são dois ou mais. Mas também é dividir: o peso de a suportar sozinh@. Aliviar a carga. É um direito, daqueles afectivos, talvez: eu quero saber certas coisas, ainda que, eu quereria que me contassem apesar de, por isso eu tenho de dizer, devo isso.
No final não sei que contas fazer. É como espalhar e contaminar, mas há coisas que são feitas para crescer com este cimento assim.
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Saber uma coisa. Se contarmos a alguém, mais do que a dividir, multiplicamo-la. Se não for boa, é quase a dádiva de uma maldade.
Em vez de um, são dois ou mais. Mas também é dividir: o peso de a suportar sozinh@. Aliviar a carga. É um direito, daqueles afectivos, talvez: eu quero saber certas coisas, ainda que, eu quereria que me contassem apesar de, por isso eu tenho de dizer, devo isso.
No final não sei que contas fazer. É como espalhar e contaminar, mas há coisas que são feitas para crescer com este cimento assim.
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sexta-feira, dezembro 16, 2011
quarta-feira, dezembro 14, 2011
Matera pura
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Poesia sobre poesia pura indeed.
Vieram à procura da escuridão da noite para fotografar as esculturas, porque de dia este espaço quase bíblico, confinado, tem uma luz descontrolada. E o quase bíblico, aqui, está longe de ser um exagero.
Se há lugar que pode causar perplexidade a um escultor, ele é Matera. É um exemplo de milénios de uma civilização rupestre, de uma cidade que se esculpe na rocha, das cavernas mais simples de há nove mil anos aos palácios do século XVIII. Uma arquitectura que, em vez de adicionar, subtrai. É o que se vê nas quatro igrejas rupestres do Convicinio de Santo António, a que acedemos através de um pátio, depois de atravessar um arco-portão. São do século XII e XIII e a arquitectura românica, arcaica, ainda está, aqui e ali, coberta de frescos. Estão lá esculpidas absides inteiras, abóbadas cruzadas, pilastras, colunas e janelas. Estar dentro deste espaço, nota Rui Chafes, "é como estar no núcleo de uma pedra". Quem o fez foi capaz de "um gesto incrível, de avançar pela montanha". "Como uma formiga, construindo uma geometria, irregular, mas uma geometria."
No exterior, fora das igrejas e da pedra, ouve-se apenas o rio Gravina, que corre lá em baixo no vale, e que separa a cidade do Parque da Murgia Materana. Nessa colina em frente, estão duas peças que terão de ser fotografadas amanhã de manhã, diz Chafes a Alcino Gonçalves. Estão exactamente em frente ao "telescópio" assente sobre um dos muro do pátio das igrejas, aponta o escultor. O falso telescópio é um tubo, também em ferro preto, que "não é uma escultura", mas serve para orientar o olhar. "Está aqui tudo confinado na pedra. Mais de que um ponto de vista é um ponto de fuga. Deixa um caminho aberto."
Para continuar a ler aqui.
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Poesia sobre poesia pura indeed.
Vieram à procura da escuridão da noite para fotografar as esculturas, porque de dia este espaço quase bíblico, confinado, tem uma luz descontrolada. E o quase bíblico, aqui, está longe de ser um exagero.
Se há lugar que pode causar perplexidade a um escultor, ele é Matera. É um exemplo de milénios de uma civilização rupestre, de uma cidade que se esculpe na rocha, das cavernas mais simples de há nove mil anos aos palácios do século XVIII. Uma arquitectura que, em vez de adicionar, subtrai. É o que se vê nas quatro igrejas rupestres do Convicinio de Santo António, a que acedemos através de um pátio, depois de atravessar um arco-portão. São do século XII e XIII e a arquitectura românica, arcaica, ainda está, aqui e ali, coberta de frescos. Estão lá esculpidas absides inteiras, abóbadas cruzadas, pilastras, colunas e janelas. Estar dentro deste espaço, nota Rui Chafes, "é como estar no núcleo de uma pedra". Quem o fez foi capaz de "um gesto incrível, de avançar pela montanha". "Como uma formiga, construindo uma geometria, irregular, mas uma geometria."
No exterior, fora das igrejas e da pedra, ouve-se apenas o rio Gravina, que corre lá em baixo no vale, e que separa a cidade do Parque da Murgia Materana. Nessa colina em frente, estão duas peças que terão de ser fotografadas amanhã de manhã, diz Chafes a Alcino Gonçalves. Estão exactamente em frente ao "telescópio" assente sobre um dos muro do pátio das igrejas, aponta o escultor. O falso telescópio é um tubo, também em ferro preto, que "não é uma escultura", mas serve para orientar o olhar. "Está aqui tudo confinado na pedra. Mais de que um ponto de vista é um ponto de fuga. Deixa um caminho aberto."
Para continuar a ler aqui.
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segunda-feira, dezembro 12, 2011
[Do interesse da fuligem]
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'But who won't allow you,' put in the priest in a low voice, 'to own your own soot.'
Crook looked at him with an eye of interest and even respect. 'Does one want to own soot?' he asked.
'One might,' answered Brown, with speculation in his eye. 'I've heard that gardeners use it. And I once made six children happy at Christmas when the conjuror didn't come, entirely with soot -- applied externally.'
(Porque afinal a conversa segue.)
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'But who won't allow you,' put in the priest in a low voice, 'to own your own soot.'
Crook looked at him with an eye of interest and even respect. 'Does one want to own soot?' he asked.
'One might,' answered Brown, with speculation in his eye. 'I've heard that gardeners use it. And I once made six children happy at Christmas when the conjuror didn't come, entirely with soot -- applied externally.'
(Porque afinal a conversa segue.)
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[Ah, a fuligem!]
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«Não quero que você fale assim», bradou a rapariga, que estava curiosamente animada. «Você só começou a falar assim desde que se tornou um horrível não-sei-quê. Sabe muito bem do que estou a falar. O que é que se chama a um homem que queira abraçar o limpa-chaminés?
«Um santo», disse o Padre Brown.
«Julgo», disse Sir Leopold, com um altivo sorriso, «que o que a Ruby quer dizer é um Socialista.»
«Um Radical não é um homem que só coma raízes», observou Crook, com certa impaciência, «e um Conservador não é um homem que faça conservas de geleia. Tão-pouco, garanto-lho eu, um Socialista é um homem que deseje uma noite de convívio social com o limpa-chaminés. Um Socialista é um homem que quer todas as chaminés limpas e todos os limpa-chaminés pagos por tal serviço.»
«Mas que não lhes permitirá», disse o Padre Brown em voz baixa, «serem donos da sua própria fuligem.»
G. K. Chesterton, As Estrelas Cadentes, in Os melhores contos do Padre Brown, trad. de Jorge Pereirinha Pires, Assírio & Alvim
(não resisti e copei, ipsis verbis, daqui - aka o cantinho das maravilhas)
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«Não quero que você fale assim», bradou a rapariga, que estava curiosamente animada. «Você só começou a falar assim desde que se tornou um horrível não-sei-quê. Sabe muito bem do que estou a falar. O que é que se chama a um homem que queira abraçar o limpa-chaminés?
«Um santo», disse o Padre Brown.
«Julgo», disse Sir Leopold, com um altivo sorriso, «que o que a Ruby quer dizer é um Socialista.»
«Um Radical não é um homem que só coma raízes», observou Crook, com certa impaciência, «e um Conservador não é um homem que faça conservas de geleia. Tão-pouco, garanto-lho eu, um Socialista é um homem que deseje uma noite de convívio social com o limpa-chaminés. Um Socialista é um homem que quer todas as chaminés limpas e todos os limpa-chaminés pagos por tal serviço.»
«Mas que não lhes permitirá», disse o Padre Brown em voz baixa, «serem donos da sua própria fuligem.»
G. K. Chesterton, As Estrelas Cadentes, in Os melhores contos do Padre Brown, trad. de Jorge Pereirinha Pires, Assírio & Alvim
(não resisti e copei, ipsis verbis, daqui - aka o cantinho das maravilhas)
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quarta-feira, dezembro 07, 2011
[Adenda]
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Gosto de passear em lagos gelados (mas nao muito) e provocar arritmias nos amigos que olham na margem (mas que afinal também vão para o gelo!).
Os rapazes vão para o meio do lago gelado e começam a escavar círculos em volta dos pés.
Lembro-me que na manhã seguinte acordámos e ao sair do chalet tudo cintilava de tão gelado. O passeio matinal foi pelo lago e várias vezes senti as pernas bambas do estrondo do gelo a estalar ao primeiro sol da manhã.
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Gosto de passear em lagos gelados (mas nao muito) e provocar arritmias nos amigos que olham na margem (mas que afinal também vão para o gelo!).
Os rapazes vão para o meio do lago gelado e começam a escavar círculos em volta dos pés.
Lembro-me que na manhã seguinte acordámos e ao sair do chalet tudo cintilava de tão gelado. O passeio matinal foi pelo lago e várias vezes senti as pernas bambas do estrondo do gelo a estalar ao primeiro sol da manhã.
terça-feira, dezembro 06, 2011
O frio é um estado de espírito
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Gosto dos países do frio. Gosto do frio. Gosto da neve, dos cachecóis, dos passeios nocturnos (incluindo pedalar as 23h de um dia de Dezembro, na Holanda, de uma cidade à outra e depois voltar para casa para descongelar - doía tanto, a cara!).
Gosto das finas camadas de gelo, do reluzir quando a noite cresce e o frio se prolonga ainda mais e todo o laivo de humidade cintila. Gosto dos flocos de neve a bater na cara, de abrir a boca e os abocanhar, de os ver a cair à luz do candeeiro e de ver pedacinhos de neve no casaco de penas. Gosto da água fria onde só as gaivotas e tantas, das correntes debaixo das pontes, dos gritos das gaivotas como as únicas à noite na cidade.
Gosto dos mercados de Natal. Gosto das montras decoradas, das velas, dos calendários do Advento, do Natal como só no norte. Gosto do vinho quente e do chocolate, dos gorros, das casas de madeira, da comida a fazer e que cheira sempre tão bem.
Gosto de usar a minha roupa do frio e de passear quando na rua deserta, de pensar nos meus amigos do sul que são do norte também e que morrem de saudades disto como eu.
Gosto da cidade cada vez mais linda, da cidade na água, da cidade calma e tão acolhedora, assim no calor como no frio, amen.
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Gosto dos países do frio. Gosto do frio. Gosto da neve, dos cachecóis, dos passeios nocturnos (incluindo pedalar as 23h de um dia de Dezembro, na Holanda, de uma cidade à outra e depois voltar para casa para descongelar - doía tanto, a cara!).
Gosto das finas camadas de gelo, do reluzir quando a noite cresce e o frio se prolonga ainda mais e todo o laivo de humidade cintila. Gosto dos flocos de neve a bater na cara, de abrir a boca e os abocanhar, de os ver a cair à luz do candeeiro e de ver pedacinhos de neve no casaco de penas. Gosto da água fria onde só as gaivotas e tantas, das correntes debaixo das pontes, dos gritos das gaivotas como as únicas à noite na cidade.
Gosto dos mercados de Natal. Gosto das montras decoradas, das velas, dos calendários do Advento, do Natal como só no norte. Gosto do vinho quente e do chocolate, dos gorros, das casas de madeira, da comida a fazer e que cheira sempre tão bem.
Gosto de usar a minha roupa do frio e de passear quando na rua deserta, de pensar nos meus amigos do sul que são do norte também e que morrem de saudades disto como eu.
Gosto da cidade cada vez mais linda, da cidade na água, da cidade calma e tão acolhedora, assim no calor como no frio, amen.
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domingo, dezembro 04, 2011
[As coisas a chegarem]
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Páginas e páginas para ler. Coisas novas. Muita gente, todo o mundo. Frio, frio.
Vai ser bom? Espero que sim.
E aquelas datas todas da agenda a fazer check check check daqui em diante, até à calma (quase) total, off.
Plim! *
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Páginas e páginas para ler. Coisas novas. Muita gente, todo o mundo. Frio, frio.
Vai ser bom? Espero que sim.
E aquelas datas todas da agenda a fazer check check check daqui em diante, até à calma (quase) total, off.
Plim! *
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sábado, dezembro 03, 2011
[Não vou duvidar]
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Alguém veio ter ao meu blog pesquisando por carla do boletim meteorológico.
Não vou duvidar, é sempre um bom mote para que alguém aqui me encontre.
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Alguém veio ter ao meu blog pesquisando por carla do boletim meteorológico.
Não vou duvidar, é sempre um bom mote para que alguém aqui me encontre.
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quinta-feira, dezembro 01, 2011
[À doce memória da ilha encantada]
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Nasce o linho dentro d´água
Anda sempre regadinho
Assim meus olhos com mágoa
Parecem irmãos do linho.
Gira que gira
Fiando o linho
Fuso de lira
Gira mansinho.
Linho fino espadelado
Quem te me der a fiar
Para camisas de noivado
Para rendas do meu colar
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Nasce o linho dentro d´água
Anda sempre regadinho
Assim meus olhos com mágoa
Parecem irmãos do linho.
Gira que gira
Fiando o linho
Fuso de lira
Gira mansinho.
Linho fino espadelado
Quem te me der a fiar
Para camisas de noivado
Para rendas do meu colar
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