Este blogue também é feito pelos seus leitores. Por exemplo, eu acordar de manhã com este jacarandá a espreitar do telefone. :) ...
... Reconheço, é uma sensação algo mórbida, ver fotos (alheias) antigas, sabendo bem que o que ali está já não é aquilo. A cada momento há que ir fazendo as opções certas e a vida não é unilateral, não se pode fazer apenas o que se quer, achando que os outros vão estar sempre ali (nalguns contextos em especial menos ainda). Por isso. Pode ser invenção tão plausível como a realidade, mas faz sentido pensar que. Ao mesmo tempo estar (com o seu qb de tempo depois) contente porque. Talvez tudo demore a fazer mais sentido, talvez nos conformemos apenas com as decisões tomadas, a chamada acomodação, mas não me parece que seja (só) isso. No fundo, redescobrir, voltar às coisas e dizer agora quero fazer isto porque é disto que eu gosto, isto fica de lado porque não me diz nada, recuso esta vida porque não é a minha, agora finalmente isto é assim. ...
... Feliz ou infelizmente, ultimamente têm sido só confirmações. [Tantas coisas sobre isto.] Não será certamente o ponto óptimo, but still. [& mais não digo, pelo menos por hoje.] stop. ...
... Serviço público de valor era a geo-referenciação dos jacarandás de Lisboa, rua por rua. Penso nisso sempre que desço a D. João V, coberta de Jacarandás, chegando ao Rato pelas Amoreiras. Mentalmente, faço uma lista de memória, que acaba por ser sempre assim:
A D. João V, entre as Amoreiras e o Rato; A D. Carlos I, do Parlamento ao Cais do Sodré; A Barata Salgueiro, um clássico;
... E eu a dizer "Não, isso foi um sonho, um sonho forte, apenas" (apercebendo-me de quão inapropriada a palavra "pesadelo"), "deixa impressões assim mas foi só um sonho", e antes, momentos antes, deixá-la contar tudo devagar e saborear, ver tudo como se fosse verdade e pensar "Quem dera que também me acontecesse a mim". ...
... Parece irónico, mas pareceu-me o livro ideal para levar a uma criança de 8 anos que esta(va) internada num hospital. Ninguém merece e a história era quase atroz (de um verdadeiro acidente, uma alergia inesperada em relação à qual ninguém teve culpa - mas adiante, que já está tudo bem, felizmente). Isto para dizer que o livro é delicioso. Sendo grande, é de capa mole (para mim uma vantagem) e por dentro está cheio de desenhos pequenos, à exaustão, alguns de cores simples e outros apenas a traço negro. O resultado: imaginem que têm 8 anos e vos aparece à frente um livro cheio de pequenos desenhos para colorir, ainda por cima no meio de uma história. Dias Felizes é uma pequena evocação das coisas de que gostamos e/ou imaginamos. Desde o gato equilibrista, que anda na corda da roupa, a uma miríade de peixes que enchem duas páginas, sem parar. O triunfo foi quando a única forma de pôr a J. a falar foi dizer-lhe "Escolhe qual é que eu sou, e eu escolho quem tu és!". Estava lançado o desafio e foi tão bom ouvi-la rir naquele hospital. Fiquei com vontade de ter um para mim e olhar para todas aquelas coisa e pintar, pintar. Ou, como disse à J., "No espaço livre podes desenhar as outras coisas de que tu gostas!". Não sei se ela o vai fazer, mas acho que ficou a pensar. Numa rápida passagem pela Feira do Livro, encontrei-o lá, no meio de outros engraçados, como O Livro Inclinado. Não sei se pela memória emocional, este pareceu-me o melhor de todos. Tão simples, tão bonito. Duas páginas em baixo - são da edição francesa, mas não faz mal (e podem clicar ara aumentar). À Sofia e à Isabel, aqui fica também. ...
... Às vezes acho que estou a perder o fio à meada e isso seria a pior coisa que podia acontecer, especialmente neste momento. ...
... Tem sido assim, de há três noites pra cá. Em sonhos, literalmente, passo em revista toda a minha vida. A sequência é até cronológica, começou na noite de 6.ª para sábado, quando finalmente consegui começar voltar a dormir, e só hoje é que dei por isso. Uma dúvida: esta noite, sonharei com o que está para vir? Ou ainda há mais no presente do que eu posso imaginar? ...
... Nem uma imagem, nada, e raríssimas vezes vontade delas, sequer. Pergunto-me o porquê desta secura toda (levemente adivinhando, levemente perguntando ainda mais porquê), sabendo que muito dificilmente terá tendência a melhorar. ...
... Colega(s) fixes rabugentos e mal humorados. Fim de tarde cheio de sono e de rabugem. Silêncio. Tindersticks e Sigur Rós, conversas soltas e altamente disconexas. O significado de "espaço" deve ser isto, com algumas coisas mais. Quem me dera toda a gente entendesse isto assim. ...
... Se fosse há alguns anos atrás, era de histeria mesmo. Sendo agora, é de concertaço - com a companhia que um concertaço exige (embora sendo do Indie, as alusões à Zero em Comportamento no Cine 222 também sejam possíveis). Da velha cassete para o palco aqui. :D
E é tão bom olhar com um sorriso para o que foi talvez a minha entrada numa cena mais alternativa e do que tudo isso à época representou. ...