quarta-feira, abril 27, 2011

quero uma fita amarela

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Quando eu morrer, não quero choro nem vela
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
Se existe alma, se há outra encarnação
Eu queria que a mulata sapateasse no meu caixão

Fita Amarela, Noel Rosa (Poeta da Vila)
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terça-feira, abril 26, 2011

quarta-feira, abril 13, 2011

A resposta

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está numa simples pergunta, que até pode ter várias maneiras de começar:

onde
com quem
a fazer o quê
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é que gostas mais de ti como pessoa?


(Descobri-a por acaso, enquanto respondia com ela a alguém e até agora nunca a vi falhar.)
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segunda-feira, abril 11, 2011

Lamp Fall


Lamp Fall, originally uploaded by A Outra Voz.

Na estrada, algures a sul de Dakar.
E há tanto de neo-realista nesta imagem!!!, que poder!

(tentativa de post político)

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Era tão de esquerda, tão de esquerda, tão de esquerda, que a dois meses das eleições queimou a mão direita no forno...

(será que funciona assim?)
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It just smelled like death


It just smelled like death, originally uploaded by A Outra Voz.

Women empowerment project in the outskirts of Dakar.
These women work in the tannery sector (leather preparation). They have unconceivable lack of working conditions. This was by far the worst place I've ever been.
Local trade unions carry on local actions in order to create awareness for the need of labor rights.

Dakar, Senegal

(Brevemente em edição em papel, a circular por toda a Europa, or so.)

Foi de longe o pior sítio onde já estive. Enquanto lá estava e quando de lá saí só pensava "Eu não precisava de ter visto isto". Há coisas fortes de mais para termos de ter contacto com elas. Não sei se não preferia não ter ido aqui.

Uma das promessas foi o fotografar o mais possível e espalhar a mensagem por aí - está a caminho, de várias maneiras. A outra está ainda por cumprir, mas vai lá chegar.

O Senegal deu mesmo cabo de mim.

that's it

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Às vezes não me apetece mais do que assumir "Estou cansada".
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A Misteriosa Chama da Rainha Loana*

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De cada vez que morre alguém que habitou a minha infância dou comigo a pensar: "É, agora cabe-nos a nós".
Em geral há sempre muita gente nos velórios e nos funerais, por isso tentar traçar um panorama disto é relativamente fácil. Basta olhar. Basta ver. Como também acabam por se tornar em raros pontos de encontro, especialmente para alguns, o mapeamento da coisa é todo feito ali, pelo olhar, num diagnóstico de breves segundos.

[não posso escrever mais sobre isto. cifrar o mais possível, chegados aqui.]

Então o que fazer com isso, que rumo seguir?
Ou será apenas o tempo que passa uma enorme marca "correcto" sobre tudo o que também eles tiverem de (in)decidir...

[espaço espaço]

Podemos tentar visitar espaços que já não existem?

Foi por nos termos ido embora que eles acabaram ou a vida é mesmo assim?
(Teriam resistido se tivéssemos ficado? Precisávamos de ter ido pra tão longe? Ainda é possível voltar? Será que fomos mesmo embora? Ou saímos apenas para ver afinal são mesmo estes os que fazem sentido? Ou não passa tudo isto de uma ilusão passageira?)

Depois de muito pensar, a conclusão a que chego é de que não devemos pensar muito nas coisas, por isso sigo, pensando sobre isso.

* - excelente livro de Umberto Eco, sobre o revisitar da infância.
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sábado, abril 09, 2011

I follow rivers

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Entranha-se de tal forma que acordo de manhã cheia de vontade de ouvir esta música.
A culpa, claro está, é dos Discos Voadores (a quem mesmo assim ainda não perdoei o facto de não terem passado Abba. :p)

ps-e é impressão minha ou isto vicia???
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quinta-feira, abril 07, 2011

quarta-feira, abril 06, 2011

sem palavras

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Actor, realizador e activista político, mas principalmente por defender uma “intifada cultural”, que acreditava ter mais sucesso do que uma acção violenta. Nas últimas décadas, Mer-Khamis tornou-se um dos maiores críticos da política israelita face aos palestinianos.

Juliano Mer Khamis foi assassinado na segunda-feira, em frente à escola de teatro em Jenin, em frente ao filho de 10 meses. Deixou a mulher grávida de gémeos. Deixou as 700, 800 crianças que todos os anos actuavam nas montagens do Teatro da Liberdade.

Nascido e criado em Nazaré, no Norte de Israel, Juliano Mer-Khamis era filho de mãe judia israelita, defensora acérrima dos direitos dos palestinianos, e de um pai cristão palestiniano, que liderou o partido comunista em Israel.

Acusado de “traição” por ser filho de mãe judia israelita e de “corrupção moral” por desencaminhar os jovens de Jenin com obras de teatro em que se “atrevia” a misturar no mesmo cenários rapazes e raparigas, Mer-Khamis viu o seu teatro incendiado por duas vezes e passaram-lhe pelas mãos folhetos redigidos e distribuídos por islamitas radicais que o ameaçavam de morte.

Do Público. Fiquei sem palavras, é daquelas coisas que nem tem nome. Estou em choque.
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[Coisas que eu não percebo]

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Mas como é que isto pode(ia) não ser assim?

In other words, there is a need to integrate human rights approach in the MDGs related policy and programming processes.

Read more at: छाया पथ Chhaya Path

Parece-me que afinal tenho mais "caso" para a tese do que eu imaginava. Mas... a esta altura do campeonato ainda andamos a discutir isto? :s
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Revista de imprensa

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Era bom que houvesse uma coisa destas para ler a cada dia:

"But it is not just the habitual fixedness, self-censorship and the pressure to be politically correct also suppresses thinking and an ability to see and create new ideas and things. It has the potential to make us a prisoner of what is deemed as ‘acceptable’. Actually even most creative people also have some or the other habitual fixedness or produce ideas and things along politically or socially acceptable norms. Creativity too is a matter of practice. I feel it has to be acquired – constant mulling and pushing the mind to the limits is critical in order to step out of the box. Though some people go through this process and just when they are all set to come out and about, the fear of rejection hits and creative ideas and innovation are left in a permanent mental incubator."

Via Zunia
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Love contains all the prerequisites of "happy life" as "an absolute profane "sufficient life"" that has reached the perfection of its own power and of its own communicability - a live over which sovereignty and right no longer have any hold". In this manner, love indeed begins (only) when the logic of the political arrives at its end.

Agamben, Means Without Ends

[eu juro que são leituras do PhD]
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[mesmo nas coisas mais pequenas]

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Esta música é tão mas oh tão linda.



My kind of love is an ugly love
But it's real and it lasts a long, long time

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terça-feira, abril 05, 2011

comentário político

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Um escorpião corria desesperado, pois um fogo o perseguia, quando chegou à beira de um rio. Encurralado entre o fogo e a água, viu um sapo. Gritou para o sapo pedindo ajuda.

- Ó Escorpião, a tua fama é de maldoso. Tenho medo de te levar e me faças mal…

O escorpião retrucou que nada de mal ele faria, pois o sapo era sua salvação. Então o sapo pulou no rio e, no meio da travessia, o escorpião picou o sapo.

O sapo, sentindo a ação do veneno, perguntou ao escorpião por que ele fizera aquilo, pois ele também morreria.
O escorpião respondeu-lhe: -Não pude evitar, está na minha natureza!


* * *

A uma notícia dos últimos dias. Como nota só os "papéis indiferenciados, ie, qualquer das partes apta a ser o escorpião. Como sapos... muito milhões?
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segunda-feira, abril 04, 2011

Por exemplo


Dias com árvores, originally uploaded by A Outra Voz.

As flores da minha mãe, a sorrir para mim (há tanto tempo, já).

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Ah, e já me esquecia que hoje de manhã, no táxi, acabei por assistir a uma lindíssima lição de botânica. Sim, há taxistas que falam de flores. Os jacarandás da Barata Salgueiro, as cerejeiras do Japão, as árvores da floresta amazónica, a árvore de 300 anos do Jardim do Príncipe Real. A ida aos viveiros para comprara árvores e eu a recomendar-lhe o magnífico viveiro da Praia Grande.
Há dias assim, em que a gentileza tem a forma da natureza a sorrir para mim e o dia começa bem, cheio de flores pela manhã.
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domingo, abril 03, 2011

Mágico

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Me resolvi por subir na pedra mais alta
Pra te enxergar sorrindo da pedra mais alta
Contemplar teu ar, teu movimento, teu canto
Olhos feito pérola, cabelo feito manto

Sereia bonita sentada na pedra mais alta
To pensando em me jogar de cima da pedra mais alta
Vou mergulhar, talvez bater cabeça no fundo
Vou dar braçadas remar todos mares do mundo

O medo fica maior de cima da pedra mais alta
Sou tão pequenininho de cima da pedra mais alta
Me pareço conchinha ou será que conchinha acha que sou eu?
Tudo fica confuso de cima da pedra mais alta

Quero deitar na tua escama
Teu colo confessionário
De cima da pedra não se fala em horário
Bem sei da tua dificuldade na terra
Farei o possível pra morar contigo na pedra

Sereia bonita descansa teus braços em mim
Não quero tua poesia teu tesouro escondido
Deixa a onda levar todo esboço de idéia de fim
Defina comigo o traçado do nosso sentido

Quero teu sonho visível da pedra mais alta
Quero gotas pequenas molhando a pedra mais alta
Quero a música rara o som doce choroso da flauta
Quero você inteira e minha metade de volta
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