terça-feira, março 29, 2011

sweet tiny bits

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& depois há pequenas coisas que sabem tão bem, pequenos mimos, mas que.
eu sei do meu amor aos detalhes, mas eles são de facto tudo.
& depois chegar a casa, pôr Ornatos (ave!) e preparar-me para "picar" as Novas Cartas Portuguesas, que elegi como livro do doutoramento. Sim, porque à falta de mais, têm de me restar provas de que eu (ainda) não sou uma batata.
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segunda-feira, março 28, 2011

[...]

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E às vezes, de uma assentada só, eu percebo tantas coisas.
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Relicário de um homem solteiro

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"7
Um amigo brasileiro, há 20 anos a viver em Portugal, conta-me que no Rio se apaixona várias vezes entre a praia e o boteco. E esta é uma das características do homem solteiro. Confunde luxúria com amor romântico, declara vassalagem ao púbis cheio de espuma de Lavínia, escreve poemas a bonecas japonesas, julga-se apaixonado pela namorada do amigo. Mas talvez haja uma atenuante para esta confusão, para a contínua e insistente tentativa de construir o amor a partir de uma boca, de uma frase, de uma noite de sexo. E talvez haja uma atenuante para a soberba de acharmos que há alguém que nos irá desejar para o resto da vida – tal como nós a desejamos. É nesta contínua e desgovernada busca, “entre colchões e trambolhões” – como canta o romântico Palma – que o homem solteiro perpetua a possibilidade do amor, que continua a acreditar, que não se torna nem amargo nem desistente nem conformado. Ou, como escreveria o apaixonado de Lavínia: “Uma reserva de sonho contra tudo o que não é doce, sutil ou sereno.”

“Eu chamo de amor.” "

Hugo Gonçalves, O amor é sexualmente transmissível, no i


Aqui está, pelo final, a crónica que me fez ganhar o dia. É ler, que está toda aqui.
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Mel - Bal

Yussuf quando for pequeno

"Continuando a olhar para trás, Kaplanoglu mostra-nos desta vez a infância em estado puro que guardamos pela vida fora: a curiosidade da descoberta dos sentidos, a vontade da expressão individual e a timidez que a impede de se soltar, e o eterno elo de admiração da criança pelo seu pai, sob o olhar atento da mãe. O pai de Yussuf, apicultor, procura novas fontes de mel para o sustento familiar, pequenas incursões feitas na companhia do filho, de olhos e ouvidos abertos para cada gesto. Mas será após uma partida solitária para longe que, na ausência da referência paterna, os sentidos de Yussuf se abrirão mais ao confronto entre o isolamento interior no seu diminuído lar, o encontro com as palavras na escola e o puro estado da natureza que circunda a casa. Há um mundo que o chama e que ele abraça, na descoberta da vida e da ausência.

"Em 2005", diz-nos Kaplanoglu, "escrevi um conto sobre um aspirante a poeta de 18 anos que vivia no campo e enviava os seus poemas a jornais literários [segmento da história que filmaria em "Süt", segunda parte da trilogia]. Mas perguntei-me o que aconteceria a essa personagem na sua idade adulta e na sua infância, se poderia continuar a escrever poemas com 40 anos de idade ou se teria de fazer outra coisa para ganhar a vida".

Toda a "Trilogia Yussuf" revela uma paciente busca do tempo certo de expressão, uma relação cuidada entre a exposição de um sentimento e a escolha de adereços e de palavras numa paisagem natural de imagens. "A poesia é aquilo que fazemos das nossas experiências a partir do que guardamos na nossa linguagem. Não se trata só de colocar os nossos sentimentos em palavras, tem também a ver com o silêncio."

Através da infância de Yussuf, Kaplanoglu tentou ir ao encontro do sentido inicial que se perde ao longo da vida. "A vida põe uma cortina à frente dos nossos sentidos, impede-nos de tocar, cheirar e ver. Quando fiz o filme, tentei encontrar uma maneira de remover essa cortina, queria descrever não só a infância de Yussuf mas também a da humanidade. Pensei muito em como descrever essa pureza, pois julgo que a perdemos nas nossas relações. Falamos muito não por nos darmos bem, mas porque não conseguimos estabelecer uma verdadeira ligação uns com os outros", sublinha.

Todo o seu trabalho vai no sentido de uma necessidade de espiritualidade e de depuração que é o contrário da vida moderna, urbana que nos aliena dos sentidos. "A nossa percepção não está apenas relacionada com o cinema, depende também da quantidade de poesia que lemos, do nosso envolvimento com a arte e a filosofia, e da nossa relação com a espiritualidade. A vida moderna não nos permite questionar a nossa existência e a criação, há uma indolência dominante em relação a isso", argumenta Kaplanoglu.

Kaplanoglu vai até à raiz de uma vida. Na sua inocência, Yussuf mostra-nos que aquilo que nos forma nunca nos abandonará. Ele sabe que poderá sempre encontrar aquilo que procura na árvore onde o pai ia buscar o mel para levar para casa."


Por Francisco Valente - A crónica do Ípsilon já ficou online, aqui fica pois o melhor miolo. Mas é ler toda, de um sorvo.
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Turkish delight(s)

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(...) mostrando por exemplo no quanto um simples copo de leite pode significar o amadurecimento de uma criança. E ao mesmo tempo também não se prende apenas ao mundo real, mostrando sonhos e quanto eles são importantes para o pequeno Yussuf e seu pai, a ponto de não deverem ser contados em voz alta, mas apenas sussurrados ao ouvido um do outro. (daqui)

Afinal parece que se escrevem sempre coisas tão bonitas e silenciosas sobre o filme.
Na waiting list (a tal), os outros dois, já que este é o que fecha a trilogia.
Yumurta (Ovo), de 2007, e Sut, (Leite), de 2008, em que a vida de Yusuf adulto e adolescente é explorada. Ou seja, o realizador filma a trilogia "ao contrário". Bal - Mel põe um fim. E é uma pena que o belíssimo artigo do Ípsilon não esteja online.

Aqui fica o trailer do Sut - Leite, que me parece uma coisa linda.


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«A minha longa vida deu-me uma série de motivos para me indignar».
Quem escreve é Stéphane Hessel, 93 anos, herói da Resistência francesa, sobrevivente dos campos de concentração nazis e um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos Humanos.


Depois do fracasso do alter mundialismo, uma vasta franja de opinião procura um meio para dar a conhecer que não quer viver num mundo onde uns enriquecem ao mesmo ritmo a que outros empobrecem. Acabou de encontrar um. Embora os seus leitores reúnam diversos ativistas de esquerda, Stéphane Hessel assume claramente a herança social-democrata.

“Se procurarmos, certamente encontraremos razões para a indignação: o fosso crescente entre muitos pobres e muitos ricos, o estado do planeta, o desrespeito pelos imigrantes e pelos direitos humanos, a ditadura intolerável dos mercados financeiros, a injustiça social, entre tantos outros.”

Sugestão de hoje do excelente Câmara Clara. Em waiting list, PhD oblige. Mas não perde pela demora. Quem participou na elaboração da DUDH e continua a escrever assim merece todo o meu respeito.... Consta que diz "não foi para isto que a fizemos". Pois.
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domingo, março 27, 2011

Mel - Bal

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Mel - Bal
Doce e escuro, belo.
Falta o artigo de Franscisco Valente, a págs. 29-30 do Ípsilon, uma pena.

"Kaplanoglu vai até à raiz de uma vida. Na sua inocência, Yussuf mostra-nos que aquilo que nos forma nunca nos abandonará. Ele sabe que poderá sempre encontrar aquilo que procura na árvore onde o pai ia buscar o mel para levar para casa."

(e que saudades do King!)
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[sem escapar uma]

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I go to bed real early
Everybody thinks it's strange
I get up early in the morning
No matter how disappointed i was
With the day before
It feels new

I do some stupid things
But my heart's in the right place
And this i know

So in the end i'd like to say
That i'm a very thankful man
I tried to make the most of my situations
And enjoy what i had
I knew true love and i knew passion
And the difference between the two
And i had some regrets
But if i had to do it all again
Well, it's something i'd like to do

Things the grandchildren should know, by The Eels
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sábado, março 26, 2011

a private kind of happiness

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Esquece, por momentos, quem tem razão. Tudo continuará na mesma e dormirás muito melhor. Esquece o medo, a crise, a depressão das manhãs com greve. Tira as roupas que não usas do armário e oferece-as a quem precise. Faz amor durante todo o fim-de-semana. Pinta, por fim, a parede da sala. Deixa passar a senhora com poucas compras na fila do supermercado. Já percebeste que não vais salvar o mundo, trata de cuidar dele o melhor que possas. Coisas pequenas, detalhes, não precisas de ser mártir ou revolucionário, apenas dedicado e bondoso. (...)
Vais ver que nada de grandioso mudará e, no entanto, tudo será melhor no universo das pequenas coisas que importam.


by Hugo Gonçalves, no i

& tudo o que vem a seguir, e tanto que havia a dizer sobre isto (e o seu inverso).
My thoughts exactly, again.
Já agora, o título da crónica é "Dias felizes para pessoas normais".
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rev news

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Duas notícias a destacar:

1.
Socialistas falam em usurpação de poderes por parte da Assembleia
Suspensão da avaliação dos professores poderá ser considerada inconstitucional

Quantas e quantas vezes tive eu esta dúvida.
Quando se lê a Constituição é o “ai Jesus, que isto é competência do Governo”, mas na prática pode-se tudo – e está apresentada a casa.
Agora vai haver direito sobre isto. E em itálico minúsculo porque não merece mais, como se sabe, o “direito” é sempre a legitimação daquilo que dá mais jeito a quem consegue dominar o sistema – com a agravante disso mesmo, é que fica com a aparência de “legitimado”.
Bem vindos à casa, novamente, aqui como em qualquer outro lado. Por exemplo, e nem de propósito, do outro lado do oceano semelhante consideração, pelo meu “colega de mester”.

2.
CRISE FINANCEIRA MUNDIAL
Islândia. O povo é quem mais ordena. E já tirou o país da recessão

Sei muito pouco sobre isto, aliás, na verdade nada.
Enquanto fui recebendo a notícia em círculos mais restritos (em muitas acepções da palavra), achei normal. Mas agora que li no i... caso pra dizer, vindo de onde vem, "alta vai ela".
Só me lembra, por analogia, o que fez o Lula há anos com a quebra das patentes para fazer genéricos anti HiV.
Não pagamos!, e depois? Só uma pena não termos petróleo... :s
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quinta-feira, março 24, 2011

i o mundo lá fora

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No ecrã e nos Passos Perdidos, o país aparece-me tão raivoso como um cão maltratado, bruto nos modos, inconsequente, infantil nas bocas de bancada para bancada, um "diz que disse" fictício, uma narrativa que tantas vezes nada tem a ver com a realidade, uma novela mal encenada quando tudo parece prestes a pegar fogo. Apago a televisão para ter a cabeça limpa. Lá fora continua a haver sol e pessoas na rua e gente feliz porque é Primavera. E agora?

Por Hugo Gonçalves, no jornal i


Era daqui a crónica que me fez ganhar o dia.
Ontem dei por mim a pensar alguma coisa parecida, quando finalmente saí, pec chumbado. Tive de conduzir até Sintra e foi um maravilhoso desligar, ainda para mais com uma conversa telefónica que me levou para longe.
Nos cafés de Torres Novas discutia-se muita política e eu não conseguia perceber quem era aquele gente.
Hoje de manhã, na Actis, durante 10 minutos, aquela foi a melhor tarte de amêndoa do mundo e toda a gente me mimou e me sorriu (tenho tantas saudades). Estava sol lá fora.

[& calculo que haja epicentros carregados de energias negativas.]

Aqui fica um excerto, prometo pôr em breve a outra crónica online.
O i é de direita, mas é dandy, é light e trendy-cool. É por estas e por outras que gosto tanto do i: é uma revista em forma de jornal e diária, e a maior vantagem é quase não ter notícias. Não as levemos tão a sério, pois.

passos trocados

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Não resisto a "repostar" do 31 da Armada:

Bastou um dia. Um. Ainda não há data para as eleições, a demissão do governo ainda nem foi formalmente aceite, e o PSD já perdeu a face nos dois maiores pecados que poderia apontar ao PS: querer resolver à crise à custa do aumento de impostos e não ter palavra.


publicado por Alexandre Borges às 20:39

Discordo é num ponto: espantoso??? Só me ocorre dizer: "And there's a lot more where this came from!"
Preparem-se.
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quarta-feira, março 23, 2011

[post do dia de hoje]

Amanhã - black wednesday

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200 minutos.
começa às 15h.
não se sabe quando vai acabar.
acabar, a palavra ressoa.
só me lembro da palavra italiana, perfeita: crollare.
Ave lmperator! Morituri te salutant!
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terça-feira, março 22, 2011

Estação Zootécnica Nacional

Da série # Yes, I still dream of a quiet life

Estação Zootécnica Nacional
Vale de Santarém, Portugal

Só não encontrei a janela da Joaninha. & já há tanto tempo que me pediram para a procurar... :)

segunda-feira, março 21, 2011

[big smile]

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Too much comfort zone, ultimamente, perhaps.
Mas - e depois? Também posso, ou não?
E o melhor, mesmo o melhor, o super melhor de tudo, é que ela é preenchida pelos meus amigos, que não só são espectaculares e sabem tão bem estar, como têm o dom de aparecer de tantas formas e tantas vezes mesmo mesmo na hora certa.
Ter uma comfort zone assim é um verdadeiro privilégio.
E, também por isso, é que ninguém pense que vai furar a minha bolha. Esqueçam - é que, sinceramente, não me apetece.
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[todinhas]

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And i know i can walk along the tracks
It may take a little longer but i'll know
How to find my way back
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alegoria da caverna

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continuo a achar que só se tem verdadeira liberdade para pensar quando se pensa fora de caixas.
hoje veio-me este título e parece-me a metáfora perfeita.
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..., originally uploaded by ------MUNDAN¹O.

my thoughts exactly.
notável a arte urbana de intervenção deste colectivo. vale a pena ver.

[todas mesmo]

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Fresh Feeling

Música para um dia assim.
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