segunda-feira, março 21, 2011

...
Spring is like a perhaps hand

Spring is like a perhaps hand
(which comes carefully
out of Nowhere)arranging
a window,into which people look(while
people stare
arranging and changing placing
carefully there a strange
thing and a known thing here)and

changing everything carefully

spring is like a perhaps
Hand in a window
(carefully to
and fro moving New and
Old things,while
people stare carefully
moving a perhaps
fraction of flower here placing
an inch of air there)and

without breaking anything.

by e e cummings

& era este e tão o sentimento de todas as caras de hoje.
...

domingo, março 20, 2011

to cut a long story short

...
Não havia o Público. Voltas e revoltas. Fartei-me de andar. Calor, sol, só caras felizes. Voltei ao ponto de partida, que era onde queria estar (olha a novidade e o perigo das analogias). Nova ideia, sugestionada (a pluralidade é sempre mais do que um, food for thought, mas isso eu já sabia). Levantei-me de novo. Fui buscar o i. Voltei ao sítio onde me tinha sentado, debaixo da árvore grande. Prova de que as coisas podem mesmo ser perfeitas, ainda que com pequenos ajustes, e que com isso mal nenhum vem ao mundo - só bem. i de ponta a ponta, de trás para a frente, que é como deve ser. eis que chego à crónica. a crónica. (fui agora procurar e ainda não está online.)
Pensei há coisas pequenas que nos fazem ganhar um dia inteiro. O meu já estava.
Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios e quando a encontrar aqui virá parar.
...

(cont.)

(tirado daqui)
...

comment on demand

...
Ter um blog tem destas coisas. Nem sempre sabemos quem lê e isso pode revelar-se inesperado. (Há gente que, quanto a isto, não encontra mais com que se ocupar.)
Depois, outro dos riscos são os "bitaites" inapropriados. Escrevemos algo de "precioso" e zás!, para usar a linguagem popular, lá vem uma "pazada de carvão" a rebater e a estragar. Culpa de quem? Nossa, que talvez não devêssemos escrever. Ou não. Ou isso faz parte de ter um blog e a medida do lado de lá pode ser sempre inesperada. Nos blogues, como na vida, pode valer o princípio geral:
- Se és assim tão corajos@, sai lá daí e aceita dizer-me isso na cara. [Pois é, é que aí até há "contraditório", e o que se diz leva resposta de volta.]
Some people don't.
O comentário a isto é tão óbvio que nem vale a pena escrever.
...

One day i will be alright again

...


Ain't no rainbow in the sky
In the middle of the night
But the signal's coming through
One day i will be alright again

And the doctor in the sky
Gonna bring his chopper down
Gonna bring me out alive
And set me on the ground
Once more again

Blinking Lights, The Eels

[& esta coisa estranha de achar que, por uma razão ou por outra, todas as músicas deles foram feitas pra mim.]
...

sábado, março 19, 2011

...

Amartya Sen: o pensamento como liberdade

Enviar por E-mailVersão para impressãoPDF
Amartya Sen
Carla Luís

A concepção de desenvolvimento humano representa um ponto de viragem crucial. Sen coloca o indivíduo no centro do processo, sendo a partir dele que o desenvolvimento se deve desencadear. Ela perfilha a tese da ideia da responsabilidade individual, decorrente do princípio da dignidade da pessoa humana. É a cada um que cabe construir ou contribuir para a construção de desenvolvimento. Não há exclusões de responsabilidade, como se a ausência de desenvolvimento justificasse uma exclusão, pelos próprios ou externamente imposta, de alguns indivíduos, nomeadamente em contextos menos desenvolvidos, dos processos de decisão e de acção. ...


São muitas as lições de Sen. Para mim, estas foram marcantes. Marcante foi conhecer Amartya Sen e isso nunca vou esquecer.
Depois disto, não podia deixar de partilhar - na Perspectiva, claro.
...

quinta-feira, março 17, 2011

to expand people's freedoms


...
o problema é que depois nada volta a ser o que era.
...

quarta-feira, março 16, 2011

três sílabas*

...
*Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar (...)
Alexandre O'Neill


No outro dia falávamos sobre gente altamente qualificada, que Portugal muito maltratou. No caso eram a Teresa e a Ana, e por agora isto basta. Saindo daqui, cada uma delas está muito bem enquadrada em instituições de renome mundial. Até aqui nada de novo e a pergunta surge muitas vezes: por que insistem em ficar aqui?
Há áreas, então, que são propícias à escassez no "mercado interno", por exemplo as áreas internacionais. Porque não emigrar?
- Toda a gente tem o direito a querer viver no país onde nasceu!, diziam-me.
Isso é uma verdade e não se pode condenar ninguém a sair daqui. (Ontem falava com a Teresa justamente sobre o contrário, em como não tem de estar aqui se não quiser mesmo estar.)
Nisto do país de nascimento, há sorte e há azar. E ainda há tão pouco tempo eu enviava sms de Dakar, a louvar a sorte de termos nascido em Portugal - raciocínio comparativo que obviamente mantenho.

Um sentimento de pessimismo apodera-se de mim - coisa que até aqui também não é grande novidade. Mas não é uma coisa intensa, no sentido "incisivo", mas antes um torpor, um desânimo que se instala aos poucos e desfaz.

Mais tarde ou mais cedo este país não vai ser para ninguém. Quando digo este país incluo, obviamente, tudo o que aqui temos, incluo as pessoas, incluo-me a mim, claro está. Onde é que falhámos, quando - e se calhar em muitas coisas, há muito tempo. Falhámos em tudo?

Hoje estou num dia pessimista. À minha volta só se vêem caras carregadas e não se percebe muito bem o que vem aí. Eu digo que vai ser mau.

Acredito, por isso, que é mesmo preciso sair daqui porque, pelo menos de momento e num futuro próximo, este país não se deseja a ninguém.
...

terça-feira, março 15, 2011

15 March 2011

...
The day I met Amartya Sen.
...
...
Que dia tão feliz.









Não sei há quanto tempo não tinha um dia assim.
A todos os que, directa ou indirectamente, fizeram parte do meu dia, um sentimento que nem sei explicar.
& foram tantos & tão queridos & tão bom & tão inesperados, alguns, também.

Se quisesse um dia mais feliz, não sei se o conseguiria imaginar.
...

domingo, março 13, 2011

e é Amartya Sen, perdidamente


freedom, originally uploaded by A Outra Voz.

status update

...
Current status: in love with The Eels.

& amanhã vai ser um dia extradordinário.
inimaginável.
sonhado, sonhável.
& vai acontecer. :D
...

sábado, março 12, 2011

The stars shine in the sky tonight

...


The stars shine in the sky tonight
Like a path beyond the grave
When you wish upon that star
There's two of us
You need to save

...
(a perfeição existe?)

surrounded by

...
moléculas, taxas de juro e, para meu grande gáudio, acabaram de chegar partituras de Bach. :)
...

From Iceland, with love

...

Ou as vantagens do shuffle - e tudo aqui é lindíssimo.

Behind these two hills here
There's a pool
And when I'm swimming in
Through a tunnel....
I shut my eyes.
...

Da Weasel e Manuel Cruz - Casa (Vem Fazer de Conta)

...


Mais palavras para quê.
...
...
Fiz um acordo. Daqueles sinalagmáticos, bilateral.
Bom, na verdade eu não escolhi, digamos que fui aconselhada, e de forma apenas levemente gentil, so to say.
Não gosto de falhar acordos e se os celebro, são para cumprir. Mais do que ser honestos para os outros, o mais importante é sermos honestos connosco próprios.
Hoje estou contente. Eu cumpri, a contraparte cumpriu lindamente também - e aqui estamos a falar do meu corpo.
Não caibo em mim de felicidade, truly. & além do mais tudo isto foi uma enorme sensação de alívio.

Nos nossos planos não entram ponderações der ordem biológica, limites. A ordem do que queremos tem como limite apenas aquilo que estamos dispostos a impor-nos. Até que um dia esses limites surgem - e temos de lhes dar espaço.

Antes que tivesse de o fazer, negociei. Cumpri. Cumpriu. E tudo fica tão melhor assim.
...

quinta-feira, março 10, 2011

.

A história do senhor Sommer



"No tempo em que eu ainda trepava às árvores - há muitos, muitos anos, há dezenas de anos atrás, media apenas pouco mais de um metro, calçava o número vinte e oito e era tão leve que podia voar - não, não estou a mentir, naquele tempo eu podia de facto voar - ou, pelo menos, quase, ou, melhor dizendo: naquela altura teria realmente conseguido voar, se de facto o tivesse querido fazer e se verdadeiramente o tivesse tentado [...]".

A história do senhor Sommer, Patrick Süskind, Ilustrações de Sempé, Sextante ...

#

...
#1 É tão bom fazer um pause - e não interessam os mecanismos para lá chegar - eles existem! - e isso é mesmo o que importa. Que alívio.

#2 Há coisas que se passam, parece, numa outra dimensão. Como dizia Einstein, se navegássemos a uma velocidade superior à velocidade da luz, poderíamos viajar no tempo. Às vezes parece isso e ainda o disse há tão pouco tempo.
É como, por exemplo, eu acordar de manhã e ter apenas uma breve noção do que escrevi ontem à noite no blog (e nem foi muito tarde), e bem assim de outras coisas que agora parecem tão distantes. Uma espécie de nuvem-esponja, uma deslembrança.

#3 Tanto se podia dizer sobre os efeitos do trabalho. Tanto se podia dizer, e aí volta-se a #1, dos mecanismos para lá chegar. Eu não quero saber e pouco me importam os meios, mas isto é oh isto é mesmo tão bom. Que paz, meudeus, que paz. Blessed be.
...

Dakar ride


Dakar ride, originally uploaded by A Outra Voz.

Sistema mais comum de transportes: um táxi e um bus.
& francês durante toda uma semana (penitenciadíssima por não falar wolof, a língua da negritude senegalesa).
Apesar de contentíssima por chegar ao francês, nunca iria imaginar que continuava a ser a língua do colonizador. Nunca a língua para mim teve uma carga tão política, civilizacional, ordenadora, quase. Ou se fala ou não se fala; na escola fala-se sempre francês, o wolof sempre e só fora dela. Francês língua de branco, wolof língua de preto.
Isso e a consciência de ser branca.
Ao mesmo tempo que escrevo isto aqui tenho receio, porque é todo um contexto onde esta análise tem ainda mais força do que as palavras que deixo aqui.