sábado, março 12, 2011
...
Fiz um acordo. Daqueles sinalagmáticos, bilateral.
Bom, na verdade eu não escolhi, digamos que fui aconselhada, e de forma apenas levemente gentil, so to say.
Não gosto de falhar acordos e se os celebro, são para cumprir. Mais do que ser honestos para os outros, o mais importante é sermos honestos connosco próprios.
Hoje estou contente. Eu cumpri, a contraparte cumpriu lindamente também - e aqui estamos a falar do meu corpo.
Não caibo em mim de felicidade, truly. & além do mais tudo isto foi uma enorme sensação de alívio.
Nos nossos planos não entram ponderações der ordem biológica, limites. A ordem do que queremos tem como limite apenas aquilo que estamos dispostos a impor-nos. Até que um dia esses limites surgem - e temos de lhes dar espaço.
Antes que tivesse de o fazer, negociei. Cumpri. Cumpriu. E tudo fica tão melhor assim.
...
Fiz um acordo. Daqueles sinalagmáticos, bilateral.
Bom, na verdade eu não escolhi, digamos que fui aconselhada, e de forma apenas levemente gentil, so to say.
Não gosto de falhar acordos e se os celebro, são para cumprir. Mais do que ser honestos para os outros, o mais importante é sermos honestos connosco próprios.
Hoje estou contente. Eu cumpri, a contraparte cumpriu lindamente também - e aqui estamos a falar do meu corpo.
Não caibo em mim de felicidade, truly. & além do mais tudo isto foi uma enorme sensação de alívio.
Nos nossos planos não entram ponderações der ordem biológica, limites. A ordem do que queremos tem como limite apenas aquilo que estamos dispostos a impor-nos. Até que um dia esses limites surgem - e temos de lhes dar espaço.
Antes que tivesse de o fazer, negociei. Cumpri. Cumpriu. E tudo fica tão melhor assim.
...
quinta-feira, março 10, 2011
.
"No tempo em que eu ainda trepava às árvores - há muitos, muitos anos, há dezenas de anos atrás, media apenas pouco mais de um metro, calçava o número vinte e oito e era tão leve que podia voar - não, não estou a mentir, naquele tempo eu podia de facto voar - ou, pelo menos, quase, ou, melhor dizendo: naquela altura teria realmente conseguido voar, se de facto o tivesse querido fazer e se verdadeiramente o tivesse tentado [...]".
A história do senhor Sommer, Patrick Süskind, Ilustrações de Sempé, Sextante ...
A história do senhor Sommer
"No tempo em que eu ainda trepava às árvores - há muitos, muitos anos, há dezenas de anos atrás, media apenas pouco mais de um metro, calçava o número vinte e oito e era tão leve que podia voar - não, não estou a mentir, naquele tempo eu podia de facto voar - ou, pelo menos, quase, ou, melhor dizendo: naquela altura teria realmente conseguido voar, se de facto o tivesse querido fazer e se verdadeiramente o tivesse tentado [...]".
A história do senhor Sommer, Patrick Süskind, Ilustrações de Sempé, Sextante ...
#
...
#1 É tão bom fazer um pause - e não interessam os mecanismos para lá chegar - eles existem! - e isso é mesmo o que importa. Que alívio.
#2 Há coisas que se passam, parece, numa outra dimensão. Como dizia Einstein, se navegássemos a uma velocidade superior à velocidade da luz, poderíamos viajar no tempo. Às vezes parece isso e ainda o disse há tão pouco tempo.
É como, por exemplo, eu acordar de manhã e ter apenas uma breve noção do que escrevi ontem à noite no blog (e nem foi muito tarde), e bem assim de outras coisas que agora parecem tão distantes. Uma espécie de nuvem-esponja, uma deslembrança.
#3 Tanto se podia dizer sobre os efeitos do trabalho. Tanto se podia dizer, e aí volta-se a #1, dos mecanismos para lá chegar. Eu não quero saber e pouco me importam os meios, mas isto é oh isto é mesmo tão bom. Que paz, meudeus, que paz. Blessed be.
...
#1 É tão bom fazer um pause - e não interessam os mecanismos para lá chegar - eles existem! - e isso é mesmo o que importa. Que alívio.
#2 Há coisas que se passam, parece, numa outra dimensão. Como dizia Einstein, se navegássemos a uma velocidade superior à velocidade da luz, poderíamos viajar no tempo. Às vezes parece isso e ainda o disse há tão pouco tempo.
É como, por exemplo, eu acordar de manhã e ter apenas uma breve noção do que escrevi ontem à noite no blog (e nem foi muito tarde), e bem assim de outras coisas que agora parecem tão distantes. Uma espécie de nuvem-esponja, uma deslembrança.
#3 Tanto se podia dizer sobre os efeitos do trabalho. Tanto se podia dizer, e aí volta-se a #1, dos mecanismos para lá chegar. Eu não quero saber e pouco me importam os meios, mas isto é oh isto é mesmo tão bom. Que paz, meudeus, que paz. Blessed be.
...
Dakar ride
Sistema mais comum de transportes: um táxi e um bus.
& francês durante toda uma semana (penitenciadíssima por não falar wolof, a língua da negritude senegalesa).
Apesar de contentíssima por chegar ao francês, nunca iria imaginar que continuava a ser a língua do colonizador. Nunca a língua para mim teve uma carga tão política, civilizacional, ordenadora, quase. Ou se fala ou não se fala; na escola fala-se sempre francês, o wolof sempre e só fora dela. Francês língua de branco, wolof língua de preto.
Isso e a consciência de ser branca.
Ao mesmo tempo que escrevo isto aqui tenho receio, porque é todo um contexto onde esta análise tem ainda mais força do que as palavras que deixo aqui.
ínvios são os caminhos, as encruzilhadas
...
Tudo o que estudo agora é a uma escala macro. Não é à toa que tem no título "internacional".
Mas palavra que me fascina o conceito de "violência", sobretudo a psicológica, a que tem origem na mente.
Como é insidiosa a mente humana e como tudo isto é um mecanismo complicado. Não dá vontade de a desligar?
Assim ao estilo Egas Moniz, e simplesmente neutralizar a parte do cérebro que nos atrapalha, e oh se ela às vezes é tão grande.
...
Tudo o que estudo agora é a uma escala macro. Não é à toa que tem no título "internacional".
Mas palavra que me fascina o conceito de "violência", sobretudo a psicológica, a que tem origem na mente.
Como é insidiosa a mente humana e como tudo isto é um mecanismo complicado. Não dá vontade de a desligar?
Assim ao estilo Egas Moniz, e simplesmente neutralizar a parte do cérebro que nos atrapalha, e oh se ela às vezes é tão grande.
...
quarta-feira, março 09, 2011
terça-feira, março 08, 2011
Geografias
...
LARGO DO RATO
Num fato-macaco em tempos azul
apanhava o 15 para o Cais do Sodré.
Gestos e palavras de acordo no bater
do seu coração.
Dizia-se, num pequeno café da Alvares
Cabral, ser o seu coração artéria tão
confusa como o Largo do Rato.
Batia ao compasso da Escola Politécnica
arrítmico para os lados de S. Filipe
Néry.
Tinha outros dias tinha outras vozes
a chuva caía e a brisa, a mais ligeira,
corria D. João V entre flores e varandas
festas de inverno, velhos hábitos.
Fazia horas num banco das Amoreiras.
Passam estrelas e as coisas da vida
fazem o circuito S. Bento-Gomes Freire.
Sombria é a manhã sob os seus olhos
os que chegam neste eléctrico os que
partem sob as árvores.
Rua do Sol ao Rato. Rápidos passos.
É o trágico dos túmulos de S. Mamede
leva a máscara caindo de
um ombro,
a escura cabeça perdeu-a há muito
e o fato-macaco que fora azul,
marca de água.
João Miguel Fernandes Jorge, in O Regresso dos Remadores, editorial Presença, 1982
via Blog da Livraria Trama,
que, btw, está com uma imbatível feira de livros usados - e fica mesmo aqui ao lado do poema.
...
LARGO DO RATO
Num fato-macaco em tempos azul
apanhava o 15 para o Cais do Sodré.
Gestos e palavras de acordo no bater
do seu coração.
Dizia-se, num pequeno café da Alvares
Cabral, ser o seu coração artéria tão
confusa como o Largo do Rato.
Batia ao compasso da Escola Politécnica
arrítmico para os lados de S. Filipe
Néry.
Tinha outros dias tinha outras vozes
a chuva caía e a brisa, a mais ligeira,
corria D. João V entre flores e varandas
festas de inverno, velhos hábitos.
Fazia horas num banco das Amoreiras.
Passam estrelas e as coisas da vida
fazem o circuito S. Bento-Gomes Freire.
Sombria é a manhã sob os seus olhos
os que chegam neste eléctrico os que
partem sob as árvores.
Rua do Sol ao Rato. Rápidos passos.
É o trágico dos túmulos de S. Mamede
leva a máscara caindo de
um ombro,
a escura cabeça perdeu-a há muito
e o fato-macaco que fora azul,
marca de água.
João Miguel Fernandes Jorge, in O Regresso dos Remadores, editorial Presença, 1982
via Blog da Livraria Trama,
que, btw, está com uma imbatível feira de livros usados - e fica mesmo aqui ao lado do poema.
...
segunda-feira, março 07, 2011
domingo, março 06, 2011
sábado, março 05, 2011
quinta-feira, março 03, 2011
por coisas que eu cá sei
...
É, à Hannah Arendt dava-lhe uma tarde.
E mais não digo, porque nem é preciso.
...
É, à Hannah Arendt dava-lhe uma tarde.
E mais não digo, porque nem é preciso.
...
sometimes, it all comes back to me at once. scary enough, let me tell you
...
So why do you go picking fights that you'll lose?
(When you have entertainment, when you have things to pass the time)
So why do you go thinking thoughts that are above you?
(You can be happy, just play dumb, you can be happy, just play dumb)
...
So why do you go picking fights that you'll lose?
(When you have entertainment, when you have things to pass the time)
So why do you go thinking thoughts that are above you?
(You can be happy, just play dumb, you can be happy, just play dumb)
...
epílogo, fim*
...
full version here.
por exemplo, no capítulo #vícios. oh.
[*porque a mente também precisa de dormir.]
...
full version here.
por exemplo, no capítulo #vícios. oh.
[*porque a mente também precisa de dormir.]
...
conclusão, tentativa
...
Depois de tudo isto, a pergunta: alguma coisa disto é compreensível?
(Por exemplo, para mim.)
...
Depois de tudo isto, a pergunta: alguma coisa disto é compreensível?
(Por exemplo, para mim.)
...
for while the public realm may be great, it cannot be charming precisely because it is unable to harbor the irrelevant.
...
This enlargement of the private, the enchantment, as it were, of a whole people, does not make it public, does not constitute a public realm, but, on the contrary, means only that the public realm has almost completely receded,
[sim, se tudo correr bem, é isto mesmo que acontece]
so that greatness has given way to charm everywhere;
[ora nem mais!]
for while the public realm may be great, it cannot be charming precisely because it is unable to harbor the irrelevant.
E não é que é mesmo por isto?
Hannah Arendt, The Human Condition
Sim, Hannah Arendt continua esta descrição, que faz em modo de crítica.
Mas garanto-vos, com gente como eu, esta teoria estava bem tramada - e havia de provar tudinho (para grande mal dos meus pecados, diga-se).
...
This enlargement of the private, the enchantment, as it were, of a whole people, does not make it public, does not constitute a public realm, but, on the contrary, means only that the public realm has almost completely receded,
[sim, se tudo correr bem, é isto mesmo que acontece]
so that greatness has given way to charm everywhere;
[ora nem mais!]
for while the public realm may be great, it cannot be charming precisely because it is unable to harbor the irrelevant.
E não é que é mesmo por isto?
Hannah Arendt, The Human Condition
Sim, Hannah Arendt continua esta descrição, que faz em modo de crítica.
Mas garanto-vos, com gente como eu, esta teoria estava bem tramada - e havia de provar tudinho (para grande mal dos meus pecados, diga-se).
...
Subscrever:
Mensagens (Atom)



