O silêncio gelado que reinava ontem no Convento de Mafra. Ou no Palácio Nacional de Mafra.
Até vir o Ensemble Joanna Música e encher completamente o ar.
segunda-feira, janeiro 19, 2009
.II.<
...
...
Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predilecta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural –
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.
D'"O Guardador de Rebanhos", Alberto Caeiro
(do qual Pessoa era "o novelo enrolado para o lado de dentro", nas palavras de Álvaro de Campos, discípulo maior do primeiro).
E isto é assim, Pafff!, estrondo grande de que a custo me recomponho depois de ler.
Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predilecta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural –
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.
D'"O Guardador de Rebanhos", Alberto Caeiro
(do qual Pessoa era "o novelo enrolado para o lado de dentro", nas palavras de Álvaro de Campos, discípulo maior do primeiro).
E isto é assim, Pafff!, estrondo grande de que a custo me recomponho depois de ler.
sexta-feira, janeiro 16, 2009
...
Há coisas que começam mal, esta coisa é uma delas. Não é bem uma coisa, o que só torna a coisa pior, esta coisa sem ser coisa.
Não há meio de a dominar, de a domar. Primeiro conviria conhecê-la e não tenho a certeza de já o ter feito ao certo. A coisa que não é coisa é portanto coisa por conhecer.
Depois há as outras coisas.
Há coisas que sei sem querer saber, que nunca ninguém me perguntou se as quereria saber, mas das quais sou obrigada a saber. Mau, é mau. Fisicamente é esgotante, no sentido asqueroso do termo.
É aqui, também, que estas coisas se misturam com a outra coisa que é coisa por conhecer.
Sobretudo, tenho de ver como dar a volta (à dita). Que fazer, que não fazer.
Hoje era dia para, pessoana, passear na Baixa à tarde, ver o bulício por aí, qual Álvaro de Campos, dessassossegada pela cidade.
Frustrada a intenção, ou frustrada a realidade, que pela intenção se ficou, desorganizou-me todo o esquema mental (parco já de si). (Exactamente por causa das coisas, as ditas).
E quando alguma coisa começa mal tarde ou nunca se endireita, dou por mim a olhar o fim de semana com apreensão.
Eu só preciso de respirar e é coisa que não vislumbro nos dias próximos.
Por que sim, por que não, tenho mesmo de resolver a coisa. Que isto não é mesmo vida (ou não vida) que se tenha. Esta coisa.
...
Há coisas que começam mal, esta coisa é uma delas. Não é bem uma coisa, o que só torna a coisa pior, esta coisa sem ser coisa.
Não há meio de a dominar, de a domar. Primeiro conviria conhecê-la e não tenho a certeza de já o ter feito ao certo. A coisa que não é coisa é portanto coisa por conhecer.
Depois há as outras coisas.
Há coisas que sei sem querer saber, que nunca ninguém me perguntou se as quereria saber, mas das quais sou obrigada a saber. Mau, é mau. Fisicamente é esgotante, no sentido asqueroso do termo.
É aqui, também, que estas coisas se misturam com a outra coisa que é coisa por conhecer.
Sobretudo, tenho de ver como dar a volta (à dita). Que fazer, que não fazer.
Hoje era dia para, pessoana, passear na Baixa à tarde, ver o bulício por aí, qual Álvaro de Campos, dessassossegada pela cidade.
Frustrada a intenção, ou frustrada a realidade, que pela intenção se ficou, desorganizou-me todo o esquema mental (parco já de si). (Exactamente por causa das coisas, as ditas).
E quando alguma coisa começa mal tarde ou nunca se endireita, dou por mim a olhar o fim de semana com apreensão.
Eu só preciso de respirar e é coisa que não vislumbro nos dias próximos.
Por que sim, por que não, tenho mesmo de resolver a coisa. Que isto não é mesmo vida (ou não vida) que se tenha. Esta coisa.
...
A pensar*
...
Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,
Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada.
Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.
Álvaro de Campos
Via Cidade Mágica
*e sobretudo analisar.
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Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,
Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada.
Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.
Álvaro de Campos
Via Cidade Mágica
*e sobretudo analisar.
...
quinta-feira, janeiro 15, 2009
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Always look at the bright side of life
...ainda que isso implique olhar para o chão.
Ou para o ar...
Roma, Itália
segunda-feira, janeiro 12, 2009
# Do estado da arte
...
-Então o blogue, quando é que escreves mais?
A verdade é que a última coisa que escrevi ainda não se desactualizou.
ps-para quem não percebeu, é isso mesmo: ainda "só ambiciono arte de plantar batatas".
...
-Então o blogue, quando é que escreves mais?
A verdade é que a última coisa que escrevi ainda não se desactualizou.
ps-para quem não percebeu, é isso mesmo: ainda "só ambiciono arte de plantar batatas".
...
segunda-feira, janeiro 05, 2009
eu só ambiciono a arte de plantar batatas
...
Canção ao Lado
Deolinda
Desculpem todos os homens estudantes,
espíritos poetas, almas delicadas.
A falsidade do meu génio e das minhas palavras.
E é daí a lição que eu canto,
cada vida um espanto que é do bela graça,
mas eu só ambiciono arte de plantar batatas.
-Desculpem lá qualquer coisinha
mas não está cá quem canta o fado.
Se era pra ouvir a Deolinda,
entraram no sítio errado.
Nós estamos numa casa ali ao lado.
Andamos todos uma casa ao nosso lado.
Bem sei que há trolhas escritores,
de trato estucadores e serventes poetas;
e poetas que são verdadeiros pedreiros das letras.
E canta em arte genuína o pescador humilde,
a varina modesta;
e tanta vedeta devia dedicar-se à pesca.
[Refrão]
Por não fazer o que mais gosto
eu canto com desgosto, farto de aqui estar;
e algures sei que alguém mal disposto
ocupa o meu lugar.
Ninguém está bem com o que tem...
é sempre o que vem que nos vai valer;
porém quase sempre esse alguém não é quem deve ser.
[Refrão]
E é a mudar que vos proponho!
Não é um posso medonho em negras utopias;
é tão simples como mudarem de posto na telefonia.
Proponho que troquem convosco e acertem com a vida!
Canção ao Lado
Deolinda
Desculpem todos os homens estudantes,
espíritos poetas, almas delicadas.
A falsidade do meu génio e das minhas palavras.
E é daí a lição que eu canto,
cada vida um espanto que é do bela graça,
mas eu só ambiciono arte de plantar batatas.
-Desculpem lá qualquer coisinha
mas não está cá quem canta o fado.
Se era pra ouvir a Deolinda,
entraram no sítio errado.
Nós estamos numa casa ali ao lado.
Andamos todos uma casa ao nosso lado.
Bem sei que há trolhas escritores,
de trato estucadores e serventes poetas;
e poetas que são verdadeiros pedreiros das letras.
E canta em arte genuína o pescador humilde,
a varina modesta;
e tanta vedeta devia dedicar-se à pesca.
[Refrão]
Por não fazer o que mais gosto
eu canto com desgosto, farto de aqui estar;
e algures sei que alguém mal disposto
ocupa o meu lugar.
Ninguém está bem com o que tem...
é sempre o que vem que nos vai valer;
porém quase sempre esse alguém não é quem deve ser.
[Refrão]
E é a mudar que vos proponho!
Não é um posso medonho em negras utopias;
é tão simples como mudarem de posto na telefonia.
Proponho que troquem convosco e acertem com a vida!
sexta-feira, janeiro 02, 2009
Precisely!
A Viagem do Elefante
Começou finalmente ontem. Das 18h às 20h e já foram mais de 100 págs... :s Assim não vai durar muito (que elefante veloz!!) e hoje quase me abstenho de ler. Hmm. Está a voltar o vício... sinal de sanidade! :D (Ui, que bom ver! :))
Na foto, fica outro. Quem sabe um primo do dito, este encontrado em Roma, à entrada da zona freak de San Lorenzo. E bem pinky!!! Artista responsável: Elepainter! Porque elefantes cor de rosa eram às resmas. E ainda bem, ihihi!
segunda-feira, dezembro 29, 2008
Weltliteratur. Madrid, Paris, Berlim, São Petersburgo, o Mundo!
Na Gulbenkian até domingo.
Eu cá bisei. Numa "guiando" a visita, noutra em visita guiada. Para além de a Gulbenkian ser aquele lugar, esta exposição vale mesmo muito a pena.
Especialmente porque gira em torno de Pessoa, especialmente quando se está a (re)ler, com afinco e paixão, O Ano da Morte de Ricardo Reis.
By the way, o livro acabou ontem. Já sabia que era frio e triste, o final deixou-me petrificada.
Busca-se agora nova leitura. Provavelmente, A Viagem do Elefante. (God, como é bom voltar aos grandes livros??? O que é certo é que não sentia nada disto há muito tempo!)
Pelo meio, e a continuar:
- mais poesia de Ricardo Reis;
- o catálogo da Weltliteratur (que não cheguei a trazer);
- "Notas para Recordação do Meu Mestre Caeiro" (já está encomendado, mas demora); e
- O Livro do Desassossego (para ler devagar, porque deve fazer muito mal, e sublinhar).
Pelo meio ideias, coisas soltas:
Porque é que não faço mais coisas com a literatura? Não há mesmo como "fugir" a uma paixão!
Porque não juntar-lhe a fotografia? Este sim, seria um grande desafio. O Livro do Desassossego parece ser bom para isso.
(Quase salto da cadeira a perguntar-me onde poderei ir comprar livros a esta hora. Há que esperar - em muitos sentidos.)
No entretanto, estou sem nada para ler. Uma pena, há que convir.
(Imagem daqui)
domingo, dezembro 28, 2008
sexta-feira, dezembro 26, 2008
e soubesse eu artifícios de falar sem o dizer...
...
Deolinda combina terrivelmente bem com O Ano da Morte de Ricardo Reis.
Trágica coincidência, talvez, os dois ao mesmo tempo.
Lisboa, Lisboa, aquele espaço que busco sem cessar.
A pensar, para a lista, uma mais.
No entretanto a lista de coisas boas aumenta, estas músicas são poesia em estado puro. On and on.
e retrai-se o atrevimento
a pequenas bolhas de ar
e o querer deste meu corpo
vai sempre parar ao mar
Deolinda combina terrivelmente bem com O Ano da Morte de Ricardo Reis.
Trágica coincidência, talvez, os dois ao mesmo tempo.
Lisboa, Lisboa, aquele espaço que busco sem cessar.
A pensar, para a lista, uma mais.
No entretanto a lista de coisas boas aumenta, estas músicas são poesia em estado puro. On and on.
e retrai-se o atrevimento
a pequenas bolhas de ar
e o querer deste meu corpo
vai sempre parar ao mar
[Da mortalidade, enquanto metáfora]
...
Gather ye rosebuds while ye may,
Old Time is still a-flying:
And this same flower that smiles to-day
To-morrow will be dying.
(Robert Herrick)
Péssima altura para (re)ler "O Ano da Morte de Ricardo Reis".
(Na sala alguém vê o "Música no Coração". Oh, blessed be those who don't seek and yet they find!)
Gather ye rosebuds while ye may,
Old Time is still a-flying:
And this same flower that smiles to-day
To-morrow will be dying.
(Robert Herrick)
Péssima altura para (re)ler "O Ano da Morte de Ricardo Reis".
(Na sala alguém vê o "Música no Coração". Oh, blessed be those who don't seek and yet they find!)
quarta-feira, dezembro 24, 2008
terça-feira, dezembro 23, 2008
Rodchenko: da Rússia, com amor
...
Cada um tem as suas paranóias e (algumas) das minhas são bem conhecidas. Mas foi preciso ir a Barcelona para lhes acrescentar.
Rodchenko: uau!
Mea culpa. E o que mais me surpreendeu foi saber que o homem tinha feito tanta fotografia. Uau, doble uau.
À saída ainda procurei um catálogo, um livro de fotografia que fosse, mas nada. (Pai Natal, se estiveres a ler...) Vou procurar.
A iconografia é brutal (pronto, esta é a parte que liga com a paranóia), a fotografia deslumbrante.
O que eu andava a perder!
...
Cartaz da exposição na Casa Milà (by me)
"Lily Brik, 1924," by Alexander Rodchenko (daqui)
Biografia aqui.
Fotografia aqui (altamente recomendável).
Pequeno artigo aqui.
E uma delícia para os olhos a partir de aqui.
Cada um tem as suas paranóias e (algumas) das minhas são bem conhecidas. Mas foi preciso ir a Barcelona para lhes acrescentar.
Rodchenko: uau!
Mea culpa. E o que mais me surpreendeu foi saber que o homem tinha feito tanta fotografia. Uau, doble uau.
À saída ainda procurei um catálogo, um livro de fotografia que fosse, mas nada. (Pai Natal, se estiveres a ler...) Vou procurar.
A iconografia é brutal (pronto, esta é a parte que liga com a paranóia), a fotografia deslumbrante.
O que eu andava a perder!
...
Cartaz da exposição na Casa Milà (by me)
"Lily Brik, 1924," by Alexander Rodchenko (daqui)
Biografia aqui.
Fotografia aqui (altamente recomendável).
Pequeno artigo aqui.
E uma delícia para os olhos a partir de aqui.
[Assim em jeito de moral da história e de uma forma geral*]
...
Como eu gostava de ser diferente.
*E muito tpc para fazer.
...
Como eu gostava de ser diferente.
*E muito tpc para fazer.
...
domingo, dezembro 21, 2008
La Pedrera aka Casa Milà
Barcelona. Tempo pouco, casas muitas: há que escolher. Casa Milà. Como vimos só uma, houve que rentabilizar.
Ora aqui está. Estava sol e subir lá acima foi uma delícia. Não houve tempo para a Casa Batló. Fica prometida pra próxima. La Pedrera já a seguir.

Como é difícil ser original num sítio destes...
...
Parede da casa e céu a perder Olha quem está à espreita!

As vantagens de andar sempre de cabeça no ar! ;)
Ora aqui está. Estava sol e subir lá acima foi uma delícia. Não houve tempo para a Casa Batló. Fica prometida pra próxima. La Pedrera já a seguir.

Como é difícil ser original num sítio destes...
...
Parede da casa e céu a perder Olha quem está à espreita!

As vantagens de andar sempre de cabeça no ar! ;)
sexta-feira, dezembro 19, 2008
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