Quase se pode estabelecer uma regra: sempre que o Tratado/Constituição europeus vão a votos, é o descambar.
Já votaram não a Irlanda (duas vezes), a Dinamarca, Suécia, França e Holanda. E se houvesse referendo, quantos mais seriam? Fácil de resolver: acabe-se com o referendo. Lógico, não?
Mas há um outro problema que subsiste: porque este divórcio tão grande? Porque é que, com melhores ou piores razões de voto (mas o voto é assim!) os cidadãos insistem em não concordar? Isso, sim, deveria merecer reflexão.

Em vez, reflecte-se cada vez mais na desnecessidade do voto popular, no erro que é o referendo, na incapacidade dos eleitores para decidir, na ignorância geral sobre o tema. Todos estes até podem ser verdade, mas então abolir-se-ia a democracia de todo - quando se vota nas eleições nacionais, que mais se sabe? Que difere disto?
Como europeísta (embora com fortes críticas nalguns pontos) não deixo de ficar apreensiva com este impasse, com estes desenlaces. Mas aparentemente não há volta a dar. Tenta-se virar as costas às pessoas, a UE já é aquela coisa opaca (a Comissão, então, completamente obscurantista) mas alguma coisa a há-de sempre travar. Desta vez foi a constituição irlandesa - mas podia ter sido qualquer outra coisa. Ignore-se a constituição? Ou ignore-se a Irlanda? Ou insista-se até cansar?
Para os defensores da UE, qualquer destas parecem as hipóteses mais possíveis, ironicamente...













