quinta-feira, fevereiro 23, 2006
Só porque sim
Well, you can already feel my nostalgia in my never-ending stories. That is how we Burundians express our emotions; just holding someone's breath with your feelings when you cannot hold his arms.
Henri Nzeyimana, a páginas tantas.
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Porto de Abrigo

Porto de Abrigo: o mais recente livro de Jorge de Sousa Braga*, que sai por estes dias.
Para abrir o apetite, aqui fica um bocadinho:
DUNAS
Conhece-os bem os narcisos
e os cardos roladores com as
suas inflorescências azuis quem
anda pelas dunas ao fim da tarde
Enterram fundo as raízes na
areia e florescem florescem
enquanto à volta tudo arde.
Para os mais interessados, apresentação do mesmo por Pedro Abrunhosa a 17 de Fevereiro de 2006 (6ª feira), pelas 18h30Cinema Passos Manuel, Rua Passos Manuel, 137, Porto.
*Que tem lugar de culto assegurado neste blogue. No que toca a santos da casa, cada um tem os seus. É assim! Ao menos que sejam estes...
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Encontro em Trieste

Estátua de James Joyce.
Trieste, Jan. 06
Eis que no meio da rua encontro quem eu tanto procurei.
Missão cumprida: Trieste realizado.
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
A minha vida dava um filme... austríaco!
Encontrar uma casa em Graz (cidade na Estíria, sul da Áustria) não é tarefa fácil. Vendo na net os múltiplos anúncios de casas a preços convidativos (menos de metade do preço de Veneza), a minha expedição Graziana assemelhava-se simples. De Veneza, comecei a seleccionar anúncios: em função do preço, do número de flatmates, do que faziam, e por aí fora. Nada menos do que a perfeição.
À procura (pelo menos) da perfeição
Feliz e confiante, fui para Graz.
(Pelo meio, uma viagem de comboio cheia de peripécias: 7 ou 8 malas levadas de Veneza; corridas a alta velocidade, qual TGV; malas carregadas pelos gondolieri; muita gente que conheci no comboio, à custa de pedir/receber ajuda com a bagagem; enfim.)
Graz: como encontrar casa – peripécia em vários actos
Primeira tarefa: marcar entrevistas para ver as casas.
Vi o primeiro quarto: enorme, no centro da cidade, com vista para o parque. 27m2 de quarto, sala de festas, sala de fumo (para as festas), verdadeira casa de estudantes. Defeito a apontar pela je: demasiado próximo da faculdade (apenas necessário atravessar duas ruas).
Siga para a próxima.
Já com número de telefone austríaco: agora ninguém me pára!
Ligo para a segunda casa. O preço parecia-me bem, net e cabo incluídos, centro da cidade, morar com mais 3 pessoas, alles gut. Defeitos apontados pela je: os flatmates estudavam coisas como telemática, engenharia médica e afins. Hmm, torcer de nariz. Telefonema para marcar entrevista: room taken.
Oops!... Afinal not so easy. Hmmm.
Onde... bem, afinal parece que não sei quê...
Aqui começa a longa história. Com os vários telefonemas, a lista de 30 páginas de quartos ficou reduzida a metade. Quartos não mobilados, quartos taken, os preços e flatmates simpáticos voavam, o orçamento subia, os quartos que via eram para lá de maus. Decidi-me a alargar o budget, os buracos eram os mesmos ou piores ainda. Reduzi (eliminei?) os critérios de escolha, nada.
Pelo meio, estive quase a ficar com um quarto+escritório em pleno centro histórico. Alguém chegou primeiro!!!
Última tentativa: ou onde se toma um chá com a comunidade hippie de Graz
Última tentativa desesperada: ver mais um quarto. Budget já altíssimo – puro desespero de causa. Eram 4 pessoas, tinham um gato, um projecto de rádio apelativo – aqui mora gente interessante, pensei.
Cheguei. Nada mais que… uma comunidade hippie!!! Que procurava mais um elemento. A casa mais suja que já vi, quartos um pardieiro, uma gata que arranhava móveis e roupas à minha frente! (E eu já a imaginar o futuro da minha pobre tese… lol).
Keep cool!
Já a entrar no ritmo! lol
Rejeitei a casa de imediato, mas aceitei o chá (já estava na descontra…). E tive uma agradável conversa com um hippie alemão. Onde soube que ele até já tinha uma lista de pessoas à procura de casa, de onde o meu nome constava!!! LOL Trocas de infos, e lá fiquei eu listada nos ficheiros… No demais, passou o tempo todo a perguntar-me pela música “espanhola” – e fosse lá eu explicar que Portugal era uma coisa diferente… lol
Ao ponto de partida: quarto com vista para o Parque
Posto isto, voltei ao ponto de partida: a primeira casa que vi. Sou agora a feliz arrendatária de um quarto em Graz com 27m2, janelas enormes e solarengas e vista directa para o Parque da Cidade.
Quem me quiser visitar, será bem vindo! A pedido, mais detalhes da peripécia que é encontrar uma casa em Graz. Onde nada mais faltava acontecer… (Digo eu!) Mas acho que não convém averiguar!... :p
Ps-Mas acham que acabava aqui??!
De casa estabelecida, eis que a autora deste blog volta à terra lusa para merecido descanso. Pequeno pormenor, de que a mesma se olvidou: constipação!!! apanhada duas semanas atrás, na Giudecca.
Resultado: no primeiro vôo de ligação, os ouvidos estoiravam de dores, quais castanhas na brasa. Chamo o pessoal de bordo, que me dá os tais drunfos de cheirar.
Nada. Chamo outra vez: mais drunfos, mais gomas (a pastilha elástica já era nada).
E muito sério, o hospedeiro pergunta-me se quero mesmo vir para Lisboa.
Sim!, claro!
Tem a certeza que quer apanhar mais um vôo de três horas???
E depois das peripécias todas, lá estava eu em Frankfurt, em pânico, agarrada aos ouvidos, entre a perspectiva de fazer três horas em puro sofrimento ou passar uma noite sem nada em solo alemão.
Foi mesmo até à última, é só o que sói dizer-se... LOL
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Österreich
Procuro incessantemente uma casa (condigna! ;)). Digamos que depois de se tre morado em S. Marco, os padroes de exigencia sobem um bocadinho...
Esperemos!
E o mais proximo que consigo estar da lingua nativa (a minha, leia-se!) e o ingles e o italiano (muito raramente). Vou-me lentamente habituando a "poetica" local. Muito lentamente... ;)
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
Serena, sereníssima...

Serena, sereníssima, eu deixo A Sereníssima.
(Mentira: sangue, suor... e lágrimas.)
Até... Setembro!
Ci vediamo!
sábado, janeiro 28, 2006
Ainda que lhe dêem outro nome...

...a rosa não tem sempre o mesmo perfume.
Em albanês a cidade chama-se Pea, em sérvio Pec.
Esta é uma das zonas onde o fundamentalismo albanês mais se faz sentir - vêem a bandeira vermelha albanesa ao fundo? Bandeira albanesa, da Albânia - país. Estão por todo o lado.
Pergunto-me eu como é que o Kosovo será um espaço multi-étnico; como é que se sentirá um sérvio ao ver uma bandeira destas hasteada. Em contraste com as bandeiras, dos sérvios nem rasto.
A par com o fundamentalismo albanês, vêm as redes de tráfico: armas, droga, mulheres. Ajudadas pelas inexpugnáveis montanhas, estas redes ajudaram durante muito tempo o domínio do (ex)UÇK.
Dizer o nome desta cidade em sérvio é perigoso - talvez nos dêem o desconto de sermos forasteiros, não se sabe bem até que ponto.
Ao fundo, a montanha é o início da República do Montenegro. Só a paisagem nos anestesia e faz esquecer toda a tensão que se sente por aqui.
Mudar
Mudar o rosto, mudar o blog: clareza.
Recomecemos, uma outra vez. Estamos a postos.
terça-feira, janeiro 24, 2006
Zen
Insanidade: ou falta dela.
Não estar em pânico na altura em que devia; uma descontracção de quem acorda para um dia de sol, apenas.
Não sei que se passa, temo ter ensandecido de vez.
(Começo seriamente a acreditar. Que paz... Gosh!)
domingo, janeiro 22, 2006
Tá máli!...
Já que é sempre preciso rir de alguma coisa (e há falta de mais motivos....), leia-se esta notícia! Verdadeiramente... impressionante (portuguesa?)! ;)
Vilares de Vilariça: GNR intervém para evitar almoço comemorativo numa secção de voto
A GNR foi hoje chamada à freguesia de Vilares da Vilariça, no distrito de Bragança, para impedir que no mesmo espaço da secção de voto para as presidenciais ocorresse um almoço de uma batida ao javali.
Segundo contou à Lusa o governador civil, Jorge Gomes, a Junta de Freguesia programou para a sede da autarquia um almoço-convívio de uma caçada ao javali que teve lugar esta manhã na aldeia do concelho de Alfândega da Fé.
(...)
De acordo com o governador, a GNR foi alertada para a situação quando já estavam em curso os preparativos para o almoço.As forças de segurança deslocaram-se ao local e a festa da batida ao javali acabou por ser transferida para outro espaço.
Do Público,
Para ler (e rir) mais, clicar aqui!
sábado, janeiro 21, 2006
You all miss someone*

Pristina, Jan.06
*Don't you also miss peace?
Albanês com o chapéu tradicional albanês, passando em frente à vedação onde estão afixadas as fotos das "missing persons" - albanesas. Numa das ruas principais de Pristina, estrategicamente colocadas em frente às organizações internacionais - para que o facto não seja esquecido durante as negociações para o futuro status do Kosovo.
O problema é que os sérvios poderiam dizer o mesmo - as baixas foram de ambos os lados. Mas dos sérvios ninguém fala em Pristina ou no Kosovo (de absoluta maioria albanesa).
Não será já tempo de olhar apenas para o futuro?
Ps-Rugova, presidente do Kosovo, morreu. A ver vamos o que se passará nos próximos dias. O barril de pólvora testa mais uma vez a sua (in)stabilidade.
quinta-feira, janeiro 19, 2006
Funny Games
-What are they doing?
-They are playing. It's the newest game invented in the "Wonderland". It is called: "I shoot at you, you shoot at me, who survives shoots at others."
De um poster na Exit, associacao cultural de Pristina.
quarta-feira, janeiro 18, 2006
E para o almoco: carne de porco a alentejana
Hoje visitamos as tropasportuguesas da KFOR em Pristina.
Hospitalidade portuguesa: unica e ingualavel em qualquer lado.
Sem duvida, um dos melhores dias no Kosovo.
Carne de porco a alentejana para o almoco, tambem: para que conste! ;)
segunda-feira, janeiro 16, 2006
A ponte de Mitrovica

Mitrovica,
Kosovo, Servia, Balcas, Europa, Mundo
Mitrovica: cidade dividida (e nao "aproximada") por uma ponte.
A sul os albaneses, a norte os servios. Ninguem se atreve a passar a ponte - morte certa, e literal, sem figuras de estilo.
Passa-se a ponte, e esta-se numa outra realidade.
Tao longe e tao perto. Ou de como os homens se conseguem dividir com coisas aparentemente tao simples.
Impressionante.
domingo, janeiro 15, 2006
Explicacao... aos corvos*
"E por isso que nos nao temos monumentos, porque tudo o que nos construimos foi sempre destruido durante as guerras."
Explicacao de Vigan, sobre a pobreza da paisagem arquitectonica local.
(Exceptuam-se, talvez, os inumeros cemiterios albaneses, onde ate as campas tem a forma de soldados.)
Enjoyr your stay in the Balcans!
*Ave que povoa o Kosovo aos milhoes. Impressionante.
Vai vs Fica comigo
E quem vai tem o mesmo raciocinio de modo inverso, a angustia de entrar e mesmo assim apanhar o aviao, apesar, apesar...
E quem parte e quem ja ficou (e pensou o mesmo), e quem fica tambem partira... (E pensar-se-a o mesmo de novo...)
E as vezes a ubiquidade manifesta-se, e pela vontade da presenca todo o espaco parece mesmo assim tao perto...
sábado, janeiro 14, 2006
Pristina
Esta cidade nao e um campo minado.
Esta cidade e um barril de polvora, prestes a explodir ao minimo incidente.
Mas esta-se muito bem aqui...
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Ainda mais de perto
Instruções, muitas. Entre as quais:
“When travelling outside Pristina, do not wander through fields or on trails, as some areas have still not been cleared of landmines. Although landmines are not a real problem anymore in Kosovo we do advise you to be cautious. Please stick to the paved roads.”
O relato segue dentro de momentos: as feridas da guerra, ao vivo e a cores, do seio de uma família muçulmana albanesa.
Até já.
ex-Yoguslavia, meu amor...
Pior do que ver um documentário sobre a guerra (fratricida e genocidária) na ex-Jugoslávia, é vê-lo com uma croata ao lado.
O que nós vemos, ela sentiu. Não existem palavras que o possam expressar.
O cenário segue dentro de momentos. Pelo que já vi, calculo que seja aterrador. Uma guerra onde todos são culpados.
Das imagens, recordo duas de dois filmes.
De “No men’s land”, por Dan Tanovic:
“-Who started the war?" – pergunta um soldado bósnio a um soldado sérvio.
-You did!
-And now, who started the war? – pergunta o mesmo soldado, apontando a metralhadora ao sérvio.
-We did!
Mais tarde, no filme, o soldado sérvio apanha a arma e aponta-a ao bósnio:
-And now, who started the war?
-We did…”
Ou ainda...
“-Why should I do (or tell) that?
-Because I have a gun and you don’t.”
Também o “Underground”, pelo grandioso Emir Kusturica.
Tanto o “No men’s land” como o “Underground” são filmes de humor (se é que se pode chamar…), de um humor satírico e muito negro (surprise!). No entanto, ambos oferecem uma outra perspectiva para se perceber o que pode ter acontecido: nonsense.
Nonsense.
Mesmo quando penso nisto, tento ser discreta. Quando o discuto, ainda mais. (Choca-me o facto de ter de procurar sempre se a Marina, croata, ou o Avni, albanês kosovar, estão por perto.)
Como olharão eles para o filme do Kusturica? Como olharão eles para os documentários sobre a ex-Jugoslávia?
(Como olharão eles para nós, olhando para eles?)
Não posso pensar, no entanto, que de repente se começaram todos (novamente) a matar só porque sim.
Tem de haver mais alguma coisa.
Ou não?

