domingo, janeiro 15, 2006
Explicacao... aos corvos*
"E por isso que nos nao temos monumentos, porque tudo o que nos construimos foi sempre destruido durante as guerras."
Explicacao de Vigan, sobre a pobreza da paisagem arquitectonica local.
(Exceptuam-se, talvez, os inumeros cemiterios albaneses, onde ate as campas tem a forma de soldados.)
Enjoyr your stay in the Balcans!
*Ave que povoa o Kosovo aos milhoes. Impressionante.
Vai vs Fica comigo
E quem vai tem o mesmo raciocinio de modo inverso, a angustia de entrar e mesmo assim apanhar o aviao, apesar, apesar...
E quem parte e quem ja ficou (e pensou o mesmo), e quem fica tambem partira... (E pensar-se-a o mesmo de novo...)
E as vezes a ubiquidade manifesta-se, e pela vontade da presenca todo o espaco parece mesmo assim tao perto...
sábado, janeiro 14, 2006
Pristina
Esta cidade nao e um campo minado.
Esta cidade e um barril de polvora, prestes a explodir ao minimo incidente.
Mas esta-se muito bem aqui...
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Ainda mais de perto
Instruções, muitas. Entre as quais:
“When travelling outside Pristina, do not wander through fields or on trails, as some areas have still not been cleared of landmines. Although landmines are not a real problem anymore in Kosovo we do advise you to be cautious. Please stick to the paved roads.”
O relato segue dentro de momentos: as feridas da guerra, ao vivo e a cores, do seio de uma família muçulmana albanesa.
Até já.
ex-Yoguslavia, meu amor...
Pior do que ver um documentário sobre a guerra (fratricida e genocidária) na ex-Jugoslávia, é vê-lo com uma croata ao lado.
O que nós vemos, ela sentiu. Não existem palavras que o possam expressar.
O cenário segue dentro de momentos. Pelo que já vi, calculo que seja aterrador. Uma guerra onde todos são culpados.
Das imagens, recordo duas de dois filmes.
De “No men’s land”, por Dan Tanovic:
“-Who started the war?" – pergunta um soldado bósnio a um soldado sérvio.
-You did!
-And now, who started the war? – pergunta o mesmo soldado, apontando a metralhadora ao sérvio.
-We did!
Mais tarde, no filme, o soldado sérvio apanha a arma e aponta-a ao bósnio:
-And now, who started the war?
-We did…”
Ou ainda...
“-Why should I do (or tell) that?
-Because I have a gun and you don’t.”
Também o “Underground”, pelo grandioso Emir Kusturica.
Tanto o “No men’s land” como o “Underground” são filmes de humor (se é que se pode chamar…), de um humor satírico e muito negro (surprise!). No entanto, ambos oferecem uma outra perspectiva para se perceber o que pode ter acontecido: nonsense.
Nonsense.
Mesmo quando penso nisto, tento ser discreta. Quando o discuto, ainda mais. (Choca-me o facto de ter de procurar sempre se a Marina, croata, ou o Avni, albanês kosovar, estão por perto.)
Como olharão eles para o filme do Kusturica? Como olharão eles para os documentários sobre a ex-Jugoslávia?
(Como olharão eles para nós, olhando para eles?)
Não posso pensar, no entanto, que de repente se começaram todos (novamente) a matar só porque sim.
Tem de haver mais alguma coisa.
Ou não?
Ha coisas que...
Feliz Aniversario André!!!
(Pra proxima divulgo o teu telem, para te poderem dar os parabens + em directo... eheh! :p)
Baci, da VE!
domingo, janeiro 08, 2006
A minha praça
Minorias
Sou, por isso, uma minoria – o que nem sempre é muito bom.
Acho que vou tentar instituir um qualquer sistema de quotas.
(O primeiro seria para o baixar da tampa da sanita.)
A ver se ao menos assim resulta!...
Trieste
Trieste e as margens divididas do império.
Trieste é uma cidade distante. Trieste é sempre distante, mesmo agora que está tão perto.
Quando lá for (e no meio ponho o “se”) Trieste será certamente uma desilusão. Mal vem nos guias, de raspão nos mapas. O império já não está dividido, Trieste voltou costas aos austríacos e aos eslavos e é definitivamente italiana.
Ainda rivaliza com Veneza? Pouco se sabe dela, provavelmente não.
De Veneza, sabe-se que sucumbiu. A cidade das mais encantadoras, cheia de artifício, de postiço – de triunfo? Veneza faz-se do que não é dela, de quem não lhe pertence. (De mim, também, que incessantemente a busco sem encontrar.)
E Trieste, de que coisa se fará? Existirá ainda, nas suas ruas, a tripla divisão entre italianos, austríacos e eslavos? Falarão ainda os seus meandros da Voce, criada em Firenze para dar voz aos triestinos que em Trieste a não podiam ter? Será ainda a cidade dividida, a cidade da máxima liberdade? (Joyce e a confluência de intelectuais entre as guerras; Trieste como cidade por todos reivindicada e depois zona de vazio – de liberdade. O porto de Trieste. Olhar a Europa dos três impérios.)
Provavelmente, Trieste já nada dirá agora. Mesmo assim, será bom olhar a Eslovénia e Ljubljana nos olhos. (Onde a Kraína; Jugoslávia onde estás – as feridas seguem dentro de momentos.)
Agora estou em Itália. Já estive em Ljubljana. A Áustria é uma certeza, prestes a materializar-se. Trieste, Trieste.
Provavelmente a mais insignificante das cidades e é a que me baila no pensamento. E sonho com o seu porto de mar.
Post à boleia de Ilse Pollack, e do seu "Mundos de Fronteira".
Leitura obrigatória para quem quer perceber minimamente o que se passa à sua volta. Lindíssimo.
sábado, janeiro 07, 2006
Continuação do post anterior
“A vida não é uma sequência ordenada de coisas, ideias, objectos, acções e consequências… a minha vida é o mundo com cem milhões de acções e coisas, simultaneamente presentes.”
Giovanni Boine, in La Voce, revista fiorentina do início do séc. XX, que a dado momento deu voz a uma série de autores de Trieste.
Desta vez, também com Trieste no pensamento. Essa cidade tão perto e tão longe, sempre um desejo por realizar.
sexta-feira, janeiro 06, 2006
Dilema (Pós ressaca natalícia)
Por um lado...
Ter mimos é bom.
Por outro...
Esta cidade é linda!
Não se pode ter tudo...
(Que pena!!)
segunda-feira, dezembro 19, 2005
Banda Sonora Orginal
Um som de Veneza: alguém a arrastar uma mala pelas ruas.
Por exemplo agora, enquanto escrevo do meu quarto, ouço lá em baixo.
(A qualquer dia, a qualquer hora.)
Ps-em breve, muito em breve... ;)
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Jet Lag natalício
Já é quase Natal e aqui - felizmente - não o sinto. Não há muita iluminação nas ruas e o movimento é o costumeiro.
Os meus colegas começam a ir para casa - é um sinal.
Saem mais cedo para ir comprar presentes - talvez seja outro sinal.
Quando sair daqui, vou levar com o Natal em cheio.
Eu não gosto do Natal.
Este ano o Natal vai ainda mais forte.
Fuck Christmas, I've got the blues!*
*Não fui eu que inventei, é so um título do "Legendary Tiger Man". I'm inocent!!! ;)
Prémio... Diáspora!
Quem diria?
Acabei de ganhar um prémio para o "Melhor blog da Diáspora (Circulo da Europa)".
Aqui, no Contra-Indicado.
Fico assim engulhada, nao sei bem porquê.
Ao Contra-Indicado, os meus agradecimentos.
(Quanto aos "engulhos", segue a explicação no post seguinte.)
Ps-afinal não é so a estupidez; a diáspora também dá prémios... (Desculpem, mas não resisto! O espírito de Natal deixa-me assim...)
quinta-feira, dezembro 15, 2005
quarta-feira, dezembro 14, 2005
A verdade dos factos
terça-feira, dezembro 13, 2005
Explicacao (dos Passaros)
Finalmente, um decrescimo na intensidade das actividades "oficiais": nada mais ha de relevante a atingir ate ao final de 2005.
Veneza ganhou, sem duvida, outro ritmo - continuo, por vezes.
O blog, naturalmente, ressente-se.
(Mas sabe bem!)





