quarta-feira, maio 04, 2005

Síndrome dos povos do sul

Ontem estar à espera de um plano para salvar (ou ser salva por) Veneza,

e hoje continuar, e já sem data (ou certeza) marcada.

Em jeito de abraço


Para mim Abril será sempre o mês das gaivotas.


Uma gaivota voava, voava,
asas de vento,
coração de mar.

Como ela, somos livres,
somos livres
de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.

Como ela somos livres,
somos livres
de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"quando for grande
não vou combater".

Como ela, somos livres,
somos livres
de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.

Somos livres,
somos livres,
não voltaremos atrás.


Ermelinda Duarte

A brincar, a brincar...




O Museu do Brinquedo de Sintra tem uma importante colecção de soldadinhos de chumbo e outros brinquedos militares.
Para quem acha que as crianças de hoje têm brinquedos muito violentos, desenganem-se. Já imaginaram coisa mais violenta do que brincar com um hospital de campanha? A única - e crucial - diferença é que os de hoje têm a sorte de apenas imaginar (e não viver) as guerras pela televisão.
De entre os brinquedos militares, saltam à vista formaturas inteiras da Mocidade Portuguesa, ou batalhões do exército nazi alemão ou fascista italiano. Cappos incluídos, pois claro, Hitler e Mussolini na frente das figurinhas.
Quando vi o pequeno exército pela primeira vez não distingui logo a figura de Hitler.
-Mas onde é que ele está?
No pequeno pelotão Hitler era o soldadinho mais alto de todos.
-Mas era mais baixo!...
Pois é, na medida pequena do fabricado imaginário infantil Hitler era a mais alta das figurinhas. É também de ingenuidade e crença que se constroem os mitos. O que nos faz pensar que certas coisas, nem mesmo a brincar.


*fotos de brinquedos em exposição no museu.

domingo, maio 01, 2005

Arbeit macht nicht frei


Com mais de 600 mil inscritos a regatear trabalho temporário, a Manpower já é hoje o maior empregador mundial (antes dela era o exército chinês).

in Pública de hoje.


Ps-a salientar ainda na Pública, o excelente artigo sobre as diferentes concepções acerca do trabalho - que, creia-se, macht nich frei.
Quem ainda duvida, verifique aqui: www.whywork.org - ainda que não seguindo radicalmente, pensar sobre isto pode dar uma boa ajuda.

sexta-feira, abril 29, 2005

O Pastor Alemão (ou O Povo É Sereno)


Ainda que tardiamente, não resisto aqui a contar de que forma soube que tinha sido Ratzinger o eleito (??) para Papa.

Estava eu na estação de Correios de Sintra, já se sabia que tinha havido fumo branco. Faltava, sim, saber quem seria o Papa.
Na fila de espera, só ouço um homem em voz bem alta:

-É o Ratzinger! Filha da puta, e conseguiu, hã?! É desta! Vou já dizer ao padre que não ponho mais os pés na missa!...

E nem sequer lhe vi a cara. Meus amigos, isto era tão somente uma estação de correios... Ou será do vermelho do logotipo?!

segunda-feira, abril 25, 2005

Cenas de uma manifestação




Lisboa, 25 Abril 2005

Há 31 anos a poesia saía à rua, num dia assim.

Hoje somos todos Salgueiro Maia






Imagens de uma manifestação em jeito de festa.
Lisboa, 24 Abril 2005

sábado, abril 23, 2005

Em dia de

Respondam os mais velhos:
Com a idade vamos perdendo a capacidade de sentir?

Book quiz


Em jeito de resposta (ainda que tardia) ao repto do André, aqui fica:

1-Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Não faço a mínima ideia...

2.Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Lobo Antunes e James Joyce valem como resposta?

3. Qual foi o último livro que compraste?
Sinceramente, não me lembro. Desisti de comprar livros, se nem dou vazão aos muitos que já tenho…
Mas acho que foi “Os Moedeiros Falsos”, de André Gide. E bem me arrependi…

4. Qual o último livro que leste?
Hmm, pois. Apesar de ler bastante, quase nunca me lembro (muito pouco credível, eu sei, mas verdade). Acho que foi “O Sangue dos Outros”, da Simone Beauvoir. Nunca imaginei que fosse gostar tanto do livro…

5. Que livros estás a ler?
"Um Quarto Com Vista”, de E. M. Forster, por prescrição (quase) médica. É engraçadinho, embora eu ache que o topo já à distância. E a biografia do Joyce. Ah, e estudos do Manuel de Gusmão sobre o Pessoa, em especial sobre o Caeiro (agora deu-me para isto).

6. Cinco livros que levarias para uma ilha deserta.
O eterno “Ulisses”, do Joyce, já tantas vezes começado. (A vantagem é que há partes que já quase sei de cor.)
Os restantes, por curiosidade científica, ou “dever de literatura”:
A Odisseia;
A Montanha Mágica, de Thomas Mann;
Talvez a Bíblia (se houvesse espaço);
Os vários escritos auto-críticos do Pessoa (nunca pensei que me fosse interessar tanto por isto…).

7. Três pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?

Acho que a ninguém. Além de não me responderem, os meus amigos nunca me perdoariam. E a minha reputação de opositora das chain letters acaba aqui…

terça-feira, abril 19, 2005

These Days



Adivinha com solução à vista


Qual é coisa, qual é ela, que quanto mais se olha, menos se vê?

Apologia da luz.
Ou como uma bola de sabão: quando se pensa que finalmente a agarrámos ela simplesmente faz puff!

#2

Fazendo primeiro o percurso do ofuscar
Para depois o do arrefecer
Impor uma rota, uma
forma mais simples de saber de cor
uma palavra
mesmo antes de sentir qual é.


segunda-feira, abril 18, 2005

Post à Bridget Jones




Concordo com a Igreja: hoje em dia os papáveis cada vez são menos.

Contra os genéricos

Não confundas os sintomas externos com os internos. A sobredosagem de medicamentos para a alma de forma alguma curará as maleitas do corpo.

Metáfora


O que é preciso é encontrar um livro cuja leitura nunca acabe.

Em jeito de qualquer coisa


A única coisa que poderemos dizer quanto ao sucesso de uma teoria é que até hoje não fracassou.
Quanto a mim, não sei se poderei dizer isso de muitas. São hipóteses, meras hipóteses, as mais felizes das quais demoram mais algum tempo a ser refutadas.
Por isso, se me perguntarem se tenho a chave do sucesso, o mais que poderei dizer é que a do insucesso já tive muitas vezes.
Quanto à outra - se existir - a queda é uma questão de tempo.

sábado, abril 16, 2005

Corredores


Vislumbrar ao fundo, entre-portas.
Quem passa e circula, movimento.
E eu.

Here I am



Parêntesis


(Por vezes ficar parado é a única forma de mitigar o desejo de movimento.)

Casa dos... Sapatos?!


Felipe vê o seu retrato desenhado pela Susaninha:
-Está perfeito! Fizeste-o de memória?
-Não, fi-lo usando este molde! [uma cenoura em cima de um sapato].

É uma strip da Mafaldinha, e resta acrescentar que Felipe ficou tudo menos feliz. Depois a estória repete-se com Manelinho e uma escova invertida, e a integridade física de Susaninha é seriamente ameaçada.

Rem Koolhaass no entanto arrisca: para a Casa da Música, inspirou-se... numa caixa de sapatos.

Eu só pergunto: e será que isto já se soube lá para os lados do Bolhão?!



Pois é, ao menos escusava de dizer...