segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Esta Voz

Durante muito tempo (ou durante todo o tempo da sua existência) este blogue foi um “outro lado”. Ou seja, uma voz “outra” de uma realidade que era a voz principal. Por isso nasceu já com a palavra “outra”, sem que isso tivesse sido imposto.

Esta “outra” era talvez a voz mais verdadeira da principal. Essa, a principal, esteve calada durante muito tempo, mostrando-se, aí sim, uma outra que não correspondia de todo à verdadeira.

De há algum tempo para cá, tudo mudou. Ou muita coisa mudou.
Esta dualidade (quase) deixou de existir. Ou foi mitigada de tal forma, que esta voz que era a outra hoje se pode assumir como a voz principal.

Não sei se este blogue ainda faz sentido, por isso. No entanto, não queria acabar algo com que tanto me identifiquei. Alturas houve em que encontrar o melhor post era talvez o objectivo máximo e mais satisfatório do meu dia.

Por estas razões, este blogue fica a pairar. Escreverei quando me apetecer, mas já sem a necessidade da urgência que o caracterizava. Essa, estarei a vivê-la (sic) de uma outra forma.

Espero que continuem a visitar-me: essa era também uma das melhores partes em relação a isto. No entanto, não se espantem se não encontrarem posts novos. Isso quer apenas dizer que eles existem em mim, mas de outra forma.
Que é uma maneira de dizer: “the truth is out there”.

segunda-feira, janeiro 31, 2005

A propos*


Deslumbrados, alguns ainda persistem na dúvida: porquê olhos para não ver nada? Olhos sensíveis, mas sensíveis a quê?... E eis que finalmente descobrem que cada um desses animais, a princípio pretensamente obscuros, emitia e projectava na sua frente, e à sua volta, a sua própria luz.

André Gide,
Os Moedeiros Falsos

*dos vários tipos de animais, que é também uma possibilidade de pensar "Tu és bicho".

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Your wish is my command!


"Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de
Mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser
assim?...

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de
mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar

Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser
assim?...

Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de
mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar"


Mudar de Vida,
António Variações

domingo, janeiro 23, 2005

Um pouco mais


"Um pouco mais de sol - eu era brasa."
(Mário de Sá-Carneiro)

E não cruzar os braços enquanto não conseguir.
Da imobilidade nada surge, do movimento tudo pode surgir.

Continuo.
Ao fim de tanto tempo finalmente ganhei asas nos pés.


quarta-feira, janeiro 19, 2005

Nestes dias


Se não me amarrar ao chão, acho que levanto vôo.


Feels like




And it's such a sense of possibility!!!

segunda-feira, janeiro 17, 2005

(di)Lema


Não investir para não perder, e perder por não investir.

(Não importa: dura que nem uma pedra, continuamos).

quarta-feira, janeiro 12, 2005


Liberdade, liberdade!
(Sim, ela chega, com todo o espaço à sua frente. E eu esperei tanto tempo...)

[O estado de...]


E estar tudo tão fechado que nem o blog abre ao público.

A Gerência.

terça-feira, janeiro 11, 2005

Em dia de...


Meu aniversário começou com as aves marinhas
E os pássaros das árvores aladas esvoaçavam o meu nome
Sobre as granjas e os cavalos brancos.

Dylan Thomas

Ps-mais uma vez, o trick repete-se! :p
Parabéns!!!

domingo, janeiro 09, 2005

[Sem título]




Por pmgalhaes.


Citando: "Como à  espera do comboio na paragem do autocarro".

segunda-feira, janeiro 03, 2005

Ouvido de passagem


Nestes tempos de desespero, a única coisa que realmente importa é a boca da mulher amada.

(Ao som de Sepúlveda na mão)

quinta-feira, dezembro 30, 2004

Vizinhos


Não estar nem perto de ter filhos, e já ter rugas de tanto (ouvir) pensar em colégios para eles.

terça-feira, dezembro 28, 2004

Tropicalismo



"Tupi or not tupi, that is the question"




Tristes tropeços, trastes típicos, tristes tópicos, antigos trocadilhos. Viva a música. Viva Alice e a carne-de-sol com pirão de leite. Viva a sorte e o humor. Viva o Esporte Clube Bahia. Mais um: Viva as inúteis conquistas da linguagem. ADEUS.

Caetano Veloso

Enquanto seu lobo não vem II


(Os clarins da banda militar…)
Debaixo das bombas, das bandeiras
(Os clarins da banda militar…)
Debaixo das botas
(Os clarins da banda militar…)
Debaixo das rosas, dos jardins
(Os clarins da banda militar…)
Debaixo da lama
(Os clarins da banda militar…)
Debaixo da cama

Enquanto seu lobo não vem,
Caetano Veloso
in Tropicália

Enquanto seu lobo não vem


A canção é uma arma, e os censores em regra, eram pessoas muito mal a(r)madas.
Fruto da quadra natalícia, ouço compulsivamente Caetano.

A canção "Enquano seu lobo não vem" subitamente chama-me a atenção.
Também pela letra. Mas mais pela subtileza que caracteriza as canções de Caetano, os subterfúgios da melodia de segundo plano.
Esta canção faz parte do movimento "Tropicalismo", e foi escrita na década de sessenta, já durante a ditadura militar brasileira.
Apesar disso: a meio da música, da letra lentamente subversiva, uma passagem inteira d'"A Internacional"(1).
Como é óbvio, a censura passou-lhe ao lado.

(1)É nestas alturas que nos questionamos se estamos mesmo a ouvir bem. A resposta é: sim, é Caetano. E está respondida a questão.

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Permanecer


É sempre estranha a sensação da mudança, muito embora possa ser menos ácida do que a sensação de não mudar.
Já houve momentos assim. Em que um ciclo se fechava, e com ele toda a realidade à sua volta construída. Foi inevitável.
Agora não.
Não existe o momento exacto, não existe a necessidade de precipitar tudo neste instante preciso. Podia ser qualquer outro.
Escolher. Agarrar o mais pequeno grão de pó e dizer: vais ser tu.
Ao mesmo tempo: alguma vez permanecerei? Alguma vez desejarei permanecer...

quarta-feira, dezembro 22, 2004

A day in the life of



Photo by Daviderwin.

"A day in the life of": um photo pool do Flickr.
So this is how it feels: preeetty good!