terça-feira, fevereiro 10, 2004
Ponto de Vista
Eu não tenho vergonha
de dizer palavrões,
de sentir secreções
(vaginais ou anais).
As mentiras usuais
que nos fodem subtilmente
essas sim são imorais,
essas sim são indecentes.
Leila Míccolis
Nem mais!...
segunda-feira, fevereiro 09, 2004
domingo, fevereiro 08, 2004
Radioactividade
Hoje estive a arrumar a arrecadação. Por excelência, o sítio onde as coisas antigas são depositadas.
Poucas coisas há mais dolorosas. Cada vez que vejo uma caixa fechada até me arrepio, com medo do que possa estar dentro.
Até uma revista antiga pode ser cruel, na data que carrega ou na tarde de domingo que traz à memória.
Brinquedos antigos...
E os papéis escritos? Cadernos? Fotos????
Como diz a minha irmã, coisas verdadeiramente radioactivas.
Que fazer delas todas? Por vezes nada mais resta do que arranjar coragem e atirar tudo para o lixo.
É nestas alturas que me convenço que o homem, sem a memória, poderia ser bem mais feliz...
sexta-feira, fevereiro 06, 2004
Masturbação online
"(...) o Ministério da Cultura pretende realizar outras acções semelhantes, nomeadamente a des-stand-upização, com o objectivo de libertar os rapazes portugueses da mania de irem para a televisão dizerem piadas, e a desbloguização, para acabar de vez com a masturbação no nosso país."
Maria João Cruz/Nuno Costa Santos
in O Inimigo Público,
(suplemento do Público à sexta-feira)
Não podia ser mais verdade!!!
quinta-feira, fevereiro 05, 2004
Is this love?
"When you are not on your pedestal you are not interesting. The next time you are ill I will go away at once."
Oscar Wilde,
De Profundis
Glosas
Será isto o amor? É belo e doloroso, é cruel e no entanto toca...
Quando não estás no teu pedestal não me dizes nada, não passas de mais um no meio da multidão, talvez. Porque só me fascinas pelo que és, o brilho que transportas à tua volta. Quando estás na sombra só me apetece partir, para não ver a imagem em que te tornaste, a falta de tudo o que te faz inteiro e precioso.
Não é isto o amor puro? Móbil do que amo a arte em ti. Tu, feito de perfeição, em mim reflectida pelo amor que tenho por ti.
(O mote está dado. A provocação também. Now it's up to you!)
quarta-feira, fevereiro 04, 2004
quinta-feira, janeiro 29, 2004
Diving in De Profundis
"To be entirely free, and at the same time entirely dominated by law, is the eternal paradox of human life that we realize at every moment: and this, I often think, is the only explanation possible of your nature, if indeed for the profound and terrible mystery of a human soul there is any explanation at all, except one that makes the mystery all the more marvelous still."
Oscar Wilde,
De Profundis
segunda-feira, janeiro 26, 2004
Fim de transmissão
É preciso que alguém tenha um ataque cardíaco em directo para que outros se apercebam de que afinal a morte existe.
domingo, janeiro 25, 2004
Primeira aproximação ao Haiku
Mancha vermelha em tecido branco
e um golpe de luz plo bisturi do dia:
A face e o seu sorriso aberto.
sábado, janeiro 24, 2004
O jogo
Desde pequenina estava habituada a jogar.
"Play dead", diziam-lhe e num instante se fingia morta. "Play dead" e ao dizerem isto apontavam-lhe uma arma que bem podia ser qualquer coisa: uma flor, um lápis ou mesmo o amor que tinham por ela.
Muitos anos depois lembrou-se e quis voltar ao jogo.
"Play dead", gritou, e como ninguém em volta respondesse pensou "Foi sem dúvida o jogo mais rápido a que joguei".
Não precisou de arma sequer, e o amor que tinha por eles continuou a jorrar-lhe das mãos.
quarta-feira, janeiro 21, 2004
Banda Sonora
parto rumo à maravilha
rumo à dor que houver pra vir
se eu encontrar uma ilha
paro pra sentir
e dar sentido à viagem
pra sentir que eu sou capaz
se o meu peito diz coragem
volto a partir em paz
Ornatos Violeta,
Capitão Romance
(in O Monstro Precisa de Amigos)
Banda Sonora
"But the winter came
and you faded in the rain..."
David Fonseca,
Summer will bring you over
(in Sing Me Something New)
terça-feira, janeiro 13, 2004
Eu, psicopata, me assumo - II
Olha logo com quem me fui meter.
Eu disse mata, há quem diga esfola!
"Mas o mais corajoso dos homens entre nós tem medo de si próprio. A mutilação do selvagem sobrevive tragicamente na autonegação que corrompe a vida. (...)
A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe persistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo acontecem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo. Mesmo o senhor, Mr. Gray, com a sua juventude de rubro rosa e a sua mocidade de branco rosa, teve paixões que o amedrontaram, pensamentos que o aterrorizaram, sonhos diurnos e sonhos dormindo cuja simples memória talvez o faça corar de vergonha..."
Oscar Wilde,
O Retrato de Dorian Gray
(Acho que este livro tem tanto de belo como de perigoso. Vou continuar a ler com a noção clara do precipício. Prometo dar notícias em breve. Avisem se começar a apresentar estranhos sintomas...)
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