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quarta-feira, julho 27, 2011

da mais limpa solidão

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Na minha infância empobrecida do pós-guerra, privada de coisas, a carteira da Mãe era um substituto para uma cave ou sótão, uma casa de bonecas, uma arca de brinquedos inexistentes. Eu costumava tirar o seu conteúdo modesto, entusiasmada, sentindo-me como uma participante iniciada num qualquer Mistério. Mão podia saber que era exactamente isso que eu era. Uma participante no simples mistério da vida.


O museu da rendição incondicional, Dubravka Ugrešic



Este livro é tão bonito. Silencioso e silenciosamente também, quando dou por isso já vou a páginas 183, ainda que tenha metido fado, samba e beijos com língua pelo meio.

É um livro solitário, mas talvez sob a forma de elogio, ou seja, de como converter os silêncios numa limpidez absoluta. Uma viagem solitária ao passado, onde a memória e tudo o que a materializa desempenham um papel fundamental. Onde se demonstra, por exemplo, a importância de ter ou não fotografias - é isso que distingue um de outro refugiado.

Eu procurava um livro sobre a Jugoslávia e sai-me tudo isto de surpresa - e já sei a quem o emprestar a seguir.
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quinta-feira, julho 07, 2011

O museu da rendição incondicional


No jardim Zoológico de Berlim, dentro de um expositor de vidro, estão exibidos todos os objectos encontrados no interior do estômago de Roland, a Morsa (que morreu em 1961). É com este catálogo insólito que Dubravka Ugrešić inicia o seu livro: também ele um mosaico de fragmentos narrativos, recordações e reflexões, descritos pela protagonista, uma quinquagenária croata exilada em Berlim. Fala-se de fotografias antigas, de cartas de tarot, de histórias de família, de amor (com passagem por Lisboa), de guerra e de exílio; pedaços de um puzzle que comporá, numa única imagem final, o retrato da cultura e identidade europeias. O Museu da Rendição Incondicional foi recebido pela crítica internacional como uma obra universal e um dos mais importantes romances contemporâneos europeus das últimas décadas.


A aquisição de hoje ou #Mais um para a minha colecção-fetiche com a Jugoslávia.
(E como se eu lesse livros, ah! :s)