domingo, janeiro 30, 2011
das viagens
Devia ter-me preocupado mais com isto, eu sei, mas a irresponsabilidade tem reinado nas minhas últimas semanas. Um milagre que mesmo assim tenha vindo a correr tudo bem - tem?
Lembro-me da primeira viagem "estranha"? "menos confortável"?. O que iria encontrar era um mistério e os mitos à volta adensavam-se. Ler "cuidado com as minas" aumentou a curiosidade e tudo estava ali ao virar da esquina.
No fim o Kosovo revelou-se um sítio tão hospitaleiro como qualquer outro. Apenas mais pobre - e com mais desorganização.
A viagem "estranha" seguinte, e até cronologicamente falando: México.
Lembro-me de me terem ido buscar ao aeroporto ao fim do dia e tudo era a surpresa. Esbugalhada na janela, de Guadalajara à aldeiazinha de Sán Estebán, onde ia ficar mais de uma semana. Uma hora de percurso entre barracas e as mercearias abertas toda a noite - e o espanto por ver tanta gente e sempre tão acordada.
No dia seguinte, ao acordar na hacienda, perguntar a medo se era seguro ir até à aldeia. Mal eu sabia... lugar mais seguro não podia haver, as viagens à horta eram deliciosas e ver assim os nopales... miammm. Para não falar nas paletas da mercearia, gelados à base de fruta (ok, estão a ver aquela história do "cuidado com a água"? - era confiar) no pós-almoço diário.
De Guadalajara ao Pacífico, foi assim ou melhor e o México ganhou um lugar especial no meu coração.
(E regressar à Áustria a seguir... o que eu amaldiçoei, amargamente, aquela Europa tão "civilizada".)
Istambul também seria estranha, mas o resultado... uma cidade tão cosmopolita como outra qualquer - apenas com mais, muito mais diversidade. Tão bom. É certo que ia em grupo, mas nem foi questão em que pensasse.
De todas elas, talvez a próxima seja, nesse sentido, a mais aventureira de todas. É curiosa a sensação de estranheza, com misto de receio bom, de não saber muito bem o que vou encontrar. Até para coisas práticas, do estilo: que hei-de levar na mala.
(Além disso, de todas uma novidade: nunca antes me preparei tanto e tão antecipadamente para uma viagem. Só as vacinas foram todo um processo e os comprimidos da malária já deviam ter sido tomados. Para já não falar na enorme farmácia que tenho de ir aviar. & a irresponsabilidade de não conseguir um repelente decente. Enfim.)
De todas, o mesmo sentimento, que no fundo é o que tenho para esta também: que vai correr tudo bem. Que em todo o lugar do globo há gente hospitaleira e que é preciso é comunicar. Acho que pode vir a ser uma belíssima surpresa.
E depois... capital é capital, e muito provavelmente vou ter tempo para pouco mais. E será tão bom se tiver, porque acho que a minha perspectiva das coisas vai, mais uma vez, mudar.
Em contagem decrescente, expectante para a viagem. Um outro mundo existe e é uma pena que tão poucas vezes tenhamos uma oportunidade tão próxima de dar por isso.
...
quinta-feira, agosto 21, 2008
A voragem dos livros III
Já há novo à espera. Por circunstâncias várias, visita a uma nova livraria na Tapada das Mercês (!!!) e eis que que este me aparece à frente.
(clicar na imagem para ampliar, vale a pena - autor: Carlos Quitério)
Hesitei, pensei que não. Mas golpe baixo: tudo o que meta Sérvia, Kosovo, conflito nos Balcãs e afins... bom, já se sabe que não dá para resistir. Vou de pé atrás. Foi a mesma autora que escreveu o Livreiro de Cabul (que comprei em NY e ainda não li) e não percebo muito bem a abordagem. Embora o título... bom, não deixe muitas margens para dúvidas (acho eu). E com tantos elogios de tantos jornais... hmmm.
Depois, fala da perspectiva da Sérvia Sérvia, e não dos sérvios do Kosovo. Mas também fala do Kosovo (território). A ver vamos. Vai começar hoje, estou expectante.
(A ver se ao menos este dura um pouco mais. E pronto, lá vai acicatar a vontade de regressar à sérvia - embora não perceba patavina de cirílico nem saiba falar "coiso".)
terça-feira, julho 22, 2008
Será que era algum destes?

"[Karadzic] ganhava a vida ocupando-se de medicinas alternativas e trabalhando numa clínica privada. A sua última morada era de Nova Belgrado”. (do Público)
Será que era algum destes da esquerda?? Na volta ainda estivemos a beber um copo com ele... lol
E bom, se calhar já era castigo suficiente ter de viver em Novi Beograd, safa...

Ps-e pronto, viva os vencedores, que mais uma vez vencem novamente. Oba oba! (Nada me move a favor deste tipo, obviamente, mas ele há tantos... e que tal aplicar o mesmo standard ao actual 1.º ministro do Kosovo, hã?
terça-feira, abril 29, 2008
Kosovo - as coisas pelos nomes
Principal conselheiro militar da ONU no Kosovo critica União Europeia
Alguém tem que dizê-lo. E já que todos parecem calar, haja quem tenha a coragem de por os pontos nos ii e chamar as coisas pelos nomes que têm. Vindas de alguém que está há anos no mais denso do terreno... enfim, há-de ter o seu valor.
Bravo, bravo (por todas as razões e mais algumas).
domingo, março 30, 2008
Do Quirguistão, com saudade
Chapéu tradicional do Quirguistão.
Da minha amiga Yulia (do Quirguistão), com quem partilhei a estada em Pristina, Kosovo.
Nessa semana, o centro geográfico do meu mundo deslocou-se. Com a Dhurata, kosovar albanesa, oscilava dali ao Quirguistão, país da Yulia.
Portugal era uma coisa estranha, bem lá longe. E divertíamo-nos com as perguntas que fazíamos.
Que língua(s) falam ou qual é a capital eram coisas inimagináveis pra nós.
O mapa mundo nunca mais foi o mesmo...
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Kosovo: a "independência" de um problema
1, 2, 3, já está: a província do Kosovo auto-declarou-se independente. É mais ou menos como um adolescente que sai de casa, mas que para sobreviver continua a depender da mesada dos pais. Mas fosse só isso.
Ficamos a saber, uma vez mais, que de nada valem resoluções da ONU e que o que conta mesmo é ter os amigos geopoliticamente certos.
Os sérvios que se lixem.
Não só se aceita criar um Estado onde dominam as máfias; onde o actual primeiro-ministro só não foi formalmente acusado pelo Trib. para a ex-Yugoslavia porque era o aliado certo para o cargo. Dias antes da candidatura ainda o ICTY se estava a decidir e, oh!, surpresa!, não acusou Thaci. Andamos bem.
Agora começaram os conflitos. Vamos ver no que isto dá. Mexer na zona mais conturbada na Europa, mexer tão fundo neste autêntico barril de pólvora só podia dar confusão.
Está aberta a caixa de pandora.
terça-feira, dezembro 18, 2007
[Onde eu me descubro]
Kosovo: um puzzle sem lugar para todas as peças
Se os albaneses auto-declararem a independência, que será dos sérvios kosovares? Que será das outras minorias no Kosovo? Será que a intervenção internacional teve por fim dar a independência à província, e sem sequer garantir que respeitem os direitos das minorias presentes no território?
Alguém dizia que é muito ténue a linha que separa um herói de um criminoso de guerra. Alguém que participa num conflito não sabe como depois o vão encarar
Muitas vezes, no entanto, essa fina separação não cabe sequer, à qualificação das acções que cada um levou a cabo. Decide-se depois, em jogos políticos, geoestratégicos e fica estabelecido, sem mais contestações.
Podia aplicar esta distinção a tantas situações internacionais, mas escolho uma, bem perto de nós: a questão do Kosovo e ao partido óbvio que a comunidade internacional tomou contra a Sérvia e a favor dos albaneses. (...)
Continuar a ler.
Ps-Onde eu me descubro! Por exemplo, aqui.
sábado, janeiro 28, 2006
Ainda que lhe dêem outro nome...

...a rosa não tem sempre o mesmo perfume.
Em albanês a cidade chama-se Pea, em sérvio Pec.
Esta é uma das zonas onde o fundamentalismo albanês mais se faz sentir - vêem a bandeira vermelha albanesa ao fundo? Bandeira albanesa, da Albânia - país. Estão por todo o lado.
Pergunto-me eu como é que o Kosovo será um espaço multi-étnico; como é que se sentirá um sérvio ao ver uma bandeira destas hasteada. Em contraste com as bandeiras, dos sérvios nem rasto.
A par com o fundamentalismo albanês, vêm as redes de tráfico: armas, droga, mulheres. Ajudadas pelas inexpugnáveis montanhas, estas redes ajudaram durante muito tempo o domínio do (ex)UÇK.
Dizer o nome desta cidade em sérvio é perigoso - talvez nos dêem o desconto de sermos forasteiros, não se sabe bem até que ponto.
Ao fundo, a montanha é o início da República do Montenegro. Só a paisagem nos anestesia e faz esquecer toda a tensão que se sente por aqui.
sábado, janeiro 21, 2006
You all miss someone*

Pristina, Jan.06
*Don't you also miss peace?
Albanês com o chapéu tradicional albanês, passando em frente à vedação onde estão afixadas as fotos das "missing persons" - albanesas. Numa das ruas principais de Pristina, estrategicamente colocadas em frente às organizações internacionais - para que o facto não seja esquecido durante as negociações para o futuro status do Kosovo.
O problema é que os sérvios poderiam dizer o mesmo - as baixas foram de ambos os lados. Mas dos sérvios ninguém fala em Pristina ou no Kosovo (de absoluta maioria albanesa).
Não será já tempo de olhar apenas para o futuro?
Ps-Rugova, presidente do Kosovo, morreu. A ver vamos o que se passará nos próximos dias. O barril de pólvora testa mais uma vez a sua (in)stabilidade.
quarta-feira, janeiro 18, 2006
E para o almoco: carne de porco a alentejana
Hoje visitamos as tropasportuguesas da KFOR em Pristina.
Hospitalidade portuguesa: unica e ingualavel em qualquer lado.
Sem duvida, um dos melhores dias no Kosovo.
Carne de porco a alentejana para o almoco, tambem: para que conste! ;)
segunda-feira, janeiro 16, 2006
A ponte de Mitrovica

Mitrovica,
Kosovo, Servia, Balcas, Europa, Mundo
Mitrovica: cidade dividida (e nao "aproximada") por uma ponte.
A sul os albaneses, a norte os servios. Ninguem se atreve a passar a ponte - morte certa, e literal, sem figuras de estilo.
Passa-se a ponte, e esta-se numa outra realidade.
Tao longe e tao perto. Ou de como os homens se conseguem dividir com coisas aparentemente tao simples.
Impressionante.
domingo, janeiro 15, 2006
Explicacao... aos corvos*
"E por isso que nos nao temos monumentos, porque tudo o que nos construimos foi sempre destruido durante as guerras."
Explicacao de Vigan, sobre a pobreza da paisagem arquitectonica local.
(Exceptuam-se, talvez, os inumeros cemiterios albaneses, onde ate as campas tem a forma de soldados.)
Enjoyr your stay in the Balcans!
*Ave que povoa o Kosovo aos milhoes. Impressionante.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Ainda mais de perto
Instruções, muitas. Entre as quais:
“When travelling outside Pristina, do not wander through fields or on trails, as some areas have still not been cleared of landmines. Although landmines are not a real problem anymore in Kosovo we do advise you to be cautious. Please stick to the paved roads.”
O relato segue dentro de momentos: as feridas da guerra, ao vivo e a cores, do seio de uma família muçulmana albanesa.
Até já.


